ROMANCE NOVO Clerisvaldo B. Chagas, 14 de junho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.682 Caminhos do sertão. F...

ROMANCE NOVO



ROMANCE NOVO
Clerisvaldo B. Chagas, 14 de junho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.682
Caminhos do sertão. Foto (Clerisvaldo B. Chagas).

Iniciando minha carreira literária como romancista, ofereci aos leitores, “Ribeira do Panema”, romance baseado no ciclo do cangaço. Tempos depois veio a lume o segundo romance intitulado “Defunto Perfumado”, também da vertente anterior. Nessa fase fui bastante estimulado pelos escritores Luís B. Torres, Adalberon Cavalcanti Lins e Aleixo Leite Filho.
Adalberon (Curral Novo, Sidrônio, O Tigre dos Palmares) em carta a mim dirigida pedia que eu nunca deixasse de escrever romances. E em apresentação em um desses livros dizia que “ninguém se engane, pois, se Clerisvaldo despontar como um dos maiores romancistas brasileiros”. Isso me estimulou a escrever mais dois romances, ambos históricos do ciclo do cangaço: “Deuses de Mandacaru” e “Fazenda Lajeado”. Esses continuam inéditos.
Jamais quis escrever sobre documentários. Faltando, todavia, na minha terra a nossa história, resolvi entra nesse campo por amor ao torrão e escrevi “Ipanema um rio macho”, tudo sobre o rio que lhe empresta o nome, dando a Santana a sua identidade. Depois escrevi “O boi, a bota e a batina; história completa de Santana do Ipanema”, o maior documentário jamais produzido no município. Dei a minha cidade assim o seu CPF. Este livro está concorrendo em órgão oficial para publicação. Além disso outros documentários saíram: “Geografia de Santana”, “Conhecimento Gerais de Santana do Ipanema”, “A Igrejinha das Tocaias”, “Negros em Santana”, “Floro Novais, herói ou bandido?”, “O coice do bode”, “Maria Bonita, a deusa das caatingas”, “Barra do Ipanema, um povoado alagoano”, “Sebo nas canelas, Lampião vem aí!”, “Repensando a Geografia de Alagoas”, “Dez poemas engraçados” “Colibris do Camoxinga” e outros mais. Agora: “230” a história iconográfica.
Cansado de produzir documentários quis voltar a produzir romance. A fonte inspiradora estava pressionando tanto que escrevi em apenas 17 dias, 22 capítulos de 37 programados. Os dias e as noites, de forma nunca vista, não me dão fuga, é só chegando e chegando material à cabeça e o computador trabalhando sem parar. O romance, também do ciclo do cangaço, mostra certa disputa entre rastejadores famosos (homenagem a essa grande figura nordestina) nos sertões de Alagoas e Bahia. O sequestro de uma senhora dá margem a uma aventura pelos sertões, recheada de ódio, combates, amor, sexo, folclore, costumes regionais e sensibilidade à flor da pele, grudando o futuro leitor aos personagens. Tenho até a dúvida de que essa ficção deve ter acontecido como fato real no passado, tal as cenas vivas e palpitantes. Não coloquei, pela primeira vez, o nome de um livro antes de escrevê-lo. Por enquanto continua no computador como ROMANCE NOVO.
Não vejo o momento de encerrar essa crônica para escrever o capítulo 23 que já está me pressionando.
“100 milagres inéditos do padre Cícero” espera sua continuação na retaguarda.

NÓS E OS RIOS Clerisvaldo B. Chagas, 12 de junho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.681 O geógrafo B. Chagas...

NÓS E OS RIOS



NÓS E OS RIOS
Clerisvaldo B. Chagas, 12 de junho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.681
O geógrafo B. Chagas explica  à TV Gazeta sobre o canhão formado pelo Ipanema.

 Foto: (Arquivo de Clerisvaldo).

Como nós, os rios também têm juventude, maturidade e velhice. Isso depende muito do clima onde ele se situa, relevo e tipos de rochas por onde escorrem essas águas. Denominamos a essa parte “ciclo de um rio”.
Essas etapas de vida, porém, não apresentam período de tempo bem limitado.
A juventude de um rio é uma fase caracterizada pela erosão vertical quando existe a formação inequívoca de vale. Nessa fase, o rio vai procurando escavar o leito, fazendo seu trabalho intenso de erosão. Pode-se dizer que o rio procura buscar violentamente o seu ponto de equilíbrio.
Na observação vê-se um rio em forma de garganta, terreno bastante abrupto.
A maturidade é uma fase em que o rio pratica sua erosão horizontal. Vai-se alargando em ambos os lados, formando meandros e planícies aluviais. Existe nessa fase um perfil de equilíbrio. Nesse caso, a rede hidrográfica já se encontra perfeitamente definida, podendo-se distinguir perfeitamente o rio principal dos seus afluentes e subafluentes.
A velhice de um rio mostra no geral a formação de lagoas em forma de ferradura. Nessa fase, as planícies aluviais já se encontram muito enlarguecidas. O rio, então passa a correr lentamente pela planície e os seus meandros tornam-se exagerados.
Os rios velhos e que têm lentidão de suas águas, deixam de realizar um trabalho de erosão intensa e de transporte. Assim os sedimentos se depositam em ambos os lados formando essas lagoas também chamadas de diques naturais.
Todavia, caso o volume da água aumente, o rio poderá quebrar os cordões de isolamento que causaram o fenômeno.

Assim podemos sentir a alma dos rios cujos corpos vão se assemelhando aos nossos. Não faltam motivos, então, para haver mais pesquisas misturadas à sensibilidade, ao amor à Natureza que durante milhões e milhões de anos preparou a vida para nós.





VISITANDO A PRINCESA Clerisvaldo B. Chagas, 7 de junho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.680 MUSEU XUCURUS ...

VISITANDO A PRINCESA



VISITANDO A PRINCESA
Clerisvaldo B. Chagas, 7 de junho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.680
MUSEU XUCURUS EM DIA CHUVOSO. Foto: (Clerisvaldo B. Chagas).

Levantado com o canto dos pardais e uma garoa inflexível, fomos ao café costumeiro e energético. E assim procuramos percorrer a velha estrada construída por Delmiro Gouveia até o agreste de Alagoas. Chuva normal e constante no asfalto Santana ─ Palmeira dos Índios, vai trazendo recordações dos tempos em que a estrada era de terra e nem tinha mais como passar o maquinário. Havia ainda até pouco tempo a antiga linha telegráfica margeando a rodagem, onde sempre encontrávamos passarinhos encolhidos sobre os fios. E mesmo antes de nós, podemos imaginar os primeiros caminhões que rodaram no estado trazendo coco da praia para o Sertão e retornando com cereais do interior. Transportando passageiros de carona na cabina ou na carroceria, enfrentando os atoleiros, poeiras ou catabios do estradão sem fim, eram os primeiros sinais de progresso. As comunicações mais rápidas saiam do telégrafo que também muito informava aos movimentos das tropas volantes sobre Lampião e sua caterva. E assim íamos assinalando os lugares por onde o bandido havia passado, entre Palmeira e Cacimbinhas, sua porta de saída para Pernambuco.
Em Palmeira, com o assunto livro à cabeça fomos percorrendo a cidade bem movimentada. Ali também recordávamos as inúmeras passagens que tivemos de enfrentar quando rumo a Pernambuco em busca do Curso Superior ou preliminares de Arapiraca.
Aproveitamos para umas fotos que precisávamos para a Geografia, embora duas delas pareçam cabeças de burros enterradas. A cidade sobre chuva mansa e templo nublado não rebateu a nossa vontade. Assim, aproveitando o intervalo dos negócios conseguimos as fotos tão desejadas. Elas estão na Internet, mas são fotos alheias e não nos interessavam. Chegamos até o museu Xucurus e registramos a máquina do trem, exposta defronte, na praça. Fotografamos o centro da cidade para a encaixarmos entre as treze cidades alagoanas que mais se destacam atualmente. E lá na Praça do Açude usamos toda a nossa perícia para um belo cenário no açude do Goiti. Uma perfeição, coisa de profissional.
Faltava, porém, o quase inalcançável serrote do Vento, a três quilômetros de Estrela. Mais uma das outras tentativas frustradas. Conseguimos com a máquina trazê-lo para a BR-316, mas estava encoberto pela névoa. Belo, mas não serve ao nosso intento. Fico devendo o serrote do Vento e o serrote do Cedro, seu vizinho, à parte física da querida matéria.
Espero poder pesquisar mais na “Princesa do Sertão” do Mestre Graça.



PÉ LEVE SECOU Clerisvaldo B. chagas, 5 de junho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.679 PÉ LEVE. Foto (divulg...

PÉ LEVE SECOU



PÉ LEVE SECOU
Clerisvaldo B. chagas, 5 de junho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.679
PÉ LEVE. Foto (divulgação).

Desde quando iniciamos nossos estudos sobre “Repensando a Geografia de Alagoas” que viemos falando sobre diversos acidentes geográficos. Entre eles, denunciamos publicamente a situação em que vivem nossas lagoas, tanto as do São Francisco, às marítimas, quanto às de terras interiores.
As do rio São Francisco sofrendo as estiagens e o nível do rio, secando, secando sem perspectivas de cheias. Fonte de renda de pescadores e abastecimento para as cidades ribeirinhas estavam vivendo apenas de recordação.
As lagoas marítimas sofrendo poluição e assoreamento, com partes mais rasas virando pântanos. Muito embora o monitoramento das águas por órgãos competentes afirmassem que as coisas estavam na normalidade, outros fatores vão acabando com as lagoas. Está aí a invasão das águas lagunares em diversos pontos de Maceió, do Pilar, Marechal Deodoro e Fernão Velho, motivada em parte pelo assoreamento.
As lagoas de terras interiores são também grandes fontes de renda da população do entorno. No sertão, praticamente não existem mais lagoas de porte, extintas pelo mesmo processo do mau uso das terras agricultáveis. No agreste e em alguns municípios da Zona da Mata, algumas lagoas ainda se destacam, mas não são tratadas com o devido respeito que merecem. A urbanização não atende os seus limites.  Esgotos, lixo e assoreamento estão entre as causas mais comuns que vão assassinando esses mananciais.
Veja agora o que cantamos antes, em manchete do Jornal Tribuna de Alagoas, do último mês de maio: ÓRGÃOS AMBIENTAIS APONTAM CAUSAS DA SECAGEM DA LAGOA DO PÉ LEVE, EM LIMOEIRO E ANADIA. E complementa a manchete:
Leito seco do recurso hídrico deixou de ser uma fonte de alimentos e de renda para a população carente da região.
A reportagem se estende por muitas linhas quando diz a mesma coisa que eu dizia com muita antecedência. Existem outras lagoas no Agreste, mas a do povoado Pé Leve era a mais famosa da região. E agora? As outras quase todas seguirão o mesmo destino a lagoa de Limoeiro de Anadia se nada for feito por elas.



A BARRIGA, A SERRA E A NOTÍCIA Clerisvaldo B. Chagas, 2 de agosto de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.678 ...

A BARRIGA, A SERRA E A NOTÍCIA



A BARRIGA, A SERRA E A NOTÍCIA
Clerisvaldo B. Chagas, 2 de agosto de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.678

SERRA DA BARRIGA. Foto (divulgação).
 É pena que muitas notícias boas cheguem quando predominam a negatividade e ofusca as alvíssaras. Os episódios da História de Alagoas com a bravura do Quilombo dos Palmares correram mundo. O grito e o sangue derramado pela liberdade negra tornaram-se orgulho do povo alagoano. A história dos Palmares deveria ser mais estudada, pesquisada e entendida nas escolas do estado com maior frequência e profundidade. Afinal, no dia da Consciência Negra chega gente para subir a serra, de todas as partes do planeta. Em nosso livro ainda inédito, “Repensando a Geografia de Alagoas”, fornecemos uma lista completa das Comunidades Quilombolas e cada população; até mesmo a comunidade de Tabacaria que foi devastada pelas chuvas em Palmeira dos Índios. Ainda em nosso outro livro já publicado, “Negros em Santana”, defendemos teses importantes baseadas nos movimentos negros da grande serra.
“Símbolo de resistência a escravidão imposta ao povo negro do Brasil, a Serra da Barriga localizada no município de União dos Palmares, Alagoas, foi aprovada como Patrimônio Cultural do Mercosul. A escolha ocorreu na tarde desta terça-feira, 30, na XIV  Reunión de la Comisión de Patrimonio Cultural / CPC / Mercosul Cultural, na Argentina”.
Como foi dito, é pena a notícia ter chegado em momento de tanta dor na região litorânea e na zona da Mata com as enchentes devastadoras. Mas não deixa de trazer imensa alegria para os defensores da causa negra no estado e para os vários segmentos e intelectuais alagoanos. Para o Brasil, um marco importantíssimo que irá repercutir por todos os recantos do Globo.
Mesmo assim, apesar dessa retumbante vitória, continua uma luta difícil de todas as comunidades quilombolas registradas no estado. A pobreza é fator primordial nessas áreas onde as opções continuam mínimas e, o básico como Educação, Saúde e Trabalho remontam ao tempo da escravidão.
Quantas e quantas vezes planejei levar alunos até o alto da serra e nunca deu certo! Fazer o quê! Muitas coisas na vida que parecem tão perto se tornam tão longe!...
O importante, porém, é o dever cumprido, a contribuição diária para uma humanidade mais feliz, mesmo que ela seja apenas um tiquinho.