FRIO DE MATAR SAPO Clerisvaldo B. Chagas, 22 de junho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.687 Quando a...

FRIO DE MATAR SAPO



FRIO DE MATAR SAPO
Clerisvaldo B. Chagas, 22 de junho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.687


Quando as três forças volantes alagoanas, unidas, foram ao último reduto de Lampião, era a noite do dia 27 de julho de 1938. Chovia muito quando os soldados desceram o rio em três canoas improvisadas em ajoujo. Sobre o tempo da madrugada do dia seguinte, os soldados contaram depois: “frio de matar sapo”.
Essa era a nossa típica fase chuvosa outono/inverno a quem o sertanejo sempre denominou de inverno. Estamos falando naturalmente do estado de Alagoas, cujos meses da fase apresentavam-se assim: maio com pouca chuva, quase nada; junho, com pouca chuva em cujos dias das fogueiras costumava cair uma garoa sobre elas; julho, toda a carga de chuva do período, inclusive com o frio de matar sapo ─ Lembra-nos até à moda do casaco “japona” para aguentar o frio das festas de Senhora Santana ─ agosto, mês que chovia até o dia quinze e com tanto frio que matava até os feijoeiros e produzia lagartas. A frieza era, portanto, maior do que a de julho.
Do final do século passado para cá, muita coisa mudou no clima alagoano. As regras foram quebradas não permitindo mais a rotina invernosa, talvez, multicentenária.
Estamos ainda no mês de junho. Você viu acima, caro leitor, que era apenas chuva pouca, acompanhada das garoas sobre as fogueiras dos dias de Santo Antônio, São João e São Pedro. Agora não. Já choveu tanto neste mês aqui pelo sertão que equivale ao antigo mês de julho completo. A água chega dos céus dias e noites seguidas permitindo à frase das volantes de 1938: “frio de matar sapo”.
Os homens da Meteorologia local continuam errando e acertando; certeza mesmo que é bom, através das avançadas tecnologias, ainda não garante totalmente as informações. Assim vamos dando crédito ao passado na floração do mandacaru, na movimentação das formigas, na construção da casa do joão-de-barro e mesmo nas águas que chegam pelo rio Ipanema.
E se é que endoidemos nós, já endoidaram o tempo.
Como será a noite de São João, não sabemos ainda, mas que importância isso tem mais do que um delicioso pratarraz de canjica!.



O BUTANTÃ SERTANEJO Clerisvaldo B. Chagas, 20de junho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.686 Trecho de “...

O BUTANTÃ SERTANEJO



O BUTANTÃ SERTANEJO
Clerisvaldo B. Chagas, 20de junho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.686

Trecho de “O Curador de Cobras”, Oscar Silva:
“São mesmo incontáveis os inimigos do sertanejo. Não é somente a seca o destruidor de suas energias. As epidemias, especialmente a varíola, fazem, de quando em vez, uma visita ao sertão e levam boas parcelas dessas energias; o banditismo, em suas diversas modalidades, arrasta consigo outra boa porção; a tamearana e os sáurios roubam também o seu quinhãozinho; aos maus governos toca a parte do leão ─ e o sertanejo abandonado fica apenas com a coragem de continuar lutando ou emigrar para o sul do País.
Como ocorre com o homem, o sáurio sertanejo parece mais faminto que os de outras regiões. Quando o sol permite, a lagarta ataca a lavoura com tamanha sofreguidão, que, em continuando a falta de chuvas, basta uma quinzena para que ela arrase tudo o que o homem levou dias e dias a plantar e cultivar. A obra sertaneja é de uma coloração magnífica: o lombo malhado da cascavel, as cintas vermelhas da coral e o papo amarelo da surucucu brilham com a intensidade à luz daquele sol cremador de caatingas. Esses belos ofídios não poupam, entretanto, uma só vez, um bode sequer de todos os que lhes passem ao alcance do certeiro bote ─ mordem, pelo instinto de morder; matam, pelo prazer de matar; ferem e abandonam a presa, certos de que esta se tornou agora um caso perdido. E o homem vai depois juntando os ossos ─ ossos de animais caídos pela sede ou pela fome e ossos de outros, cujo casco larga das patas à força da peçonha da cascavel, da papa-ovo ou da jararaca-vinte-e-quatro-horas.
Dos Butantãs o sertanejo raramente tem notícias. Completamente esquecido, desconfiados de todas as fachadas ilusórias, volta-se constantemente para os velhos processos e recorre à magia das curas: manda curar os animais que já foram mordidos e não morreram, curam os que nunca foram mordidos e, por fim, pede para ele próprio um habeas-corpus ao curador”.
·         SILVA, Oscar. Fruta de Palma. Educativa, Paraná, 1990. 2 ed. Pag.72.

ATRAÇÕES NO MAR Clerisvaldo B. Chagas, 19 de junho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.685   Falésia na pra...

ATRAÇÕES NO MAR



ATRAÇÕES NO MAR
Clerisvaldo B. Chagas, 19 de junho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.685
 
Falésia na praia do Gunga, Alagoas. (Imagem gov.)
E falando sobre o relevo submarino ele apresenta algumas regiões com sua profundidade e suas formas. Ramos da Geografia e ciências afins desvendam, aprofundam e esclarece os mistérios oceânicos. Aqui apenas limitamos o conhecimento mais simples, como uma puxada sem muito compromisso da terra para as águas.
E se os oceanos não nos despertam grandes interesses, mas pelo menos o seu encontro com a terra sempre foi um atrativo para todos.
Assim temos a plataforma continental que se estende pela orla marítima chegando a atingir duzentos metros de profundidade. Essa parte recebe sedimentos dos rios retirados dos continentes, inclusive alimentação para os peixes. Sofre as ações de geleiras, ventos, enxurradas e correntes marinhas. A maior parte da riqueza oceânica se encontra na plataforma continental como os animais aquáticos e o petróleo, por exemplo.
O talude continental vem logo após a plataforma, sendo uma região com grande declividade que pode chegar a três mil metros de profundidade.
A região pelágica é correspondente aos fundos dos oceanos podendo atingir até os cinco mil metros em sua fundura.
Considerando ainda a região abissal, pode se dizer que aí estão as maiores profundidades das águas marítimas. A região é formada pelas chamadas fossas submarinas com mais de cinco mil metros de profundidade, podendo chegar aos onze mil metros. Os estudos dizem que nessa região existem poucos seres vivos devido à baixa temperatura e também a falta de nutrientes.
Os pesquisadores apontam como o lugar mais profundo dos oceanos, a depressão Challenger pertencente à Fossa das Marianas, lado leste das Filipinas.
Como a riqueza do mar se concentra na plataforma continental, todos os países que têm condições de proteger seu mar da pirataria de outros países, reivindicam maior área na plataforma para proteger essas riquezas.
A Oceanografia (ciência do mar) fornece inúmeras respostas a quem deseja se aprofundar no assunto.

LEIA SE QUISER Clerisvaldo B. Chagas, 16 de junho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão alagoano Crônica 1.684 Abrindo espa...

LEIA SE QUISER



LEIA SE QUISER
Clerisvaldo B. Chagas, 16 de junho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão alagoano
Crônica 1.684


Abrindo espaço para trecho de um dos trabalhos do saudoso escritor penedense, Ernani Méro.
“Esse recanto poético e histórico de Alagoas tem um significado especial no contexto do Barroco que aqui chegou e cresceu. Quanta grandeza artística naquela cidade! Quanta falta de reconhecimento do seu valor na formação mental das Alagoas! Fala-se tanto do seu acervo artístico-cultural, mas muito pouco se sabe do seu real valor como Patrimônio Histórico e da sua colaboração na formação de nossos antepassados e o que pode oferecer à nossa geração de hoje.
O convento franciscano de Santa Maria Madalena é o protótipo da arquitetura religiosa do século XVII. Aí está o seu maior valor a transmitir ao hoje e ao amanhã. Ali está um verdadeiro Barroco Nordestino de uma época,  uma réplica autêntica de tantos exemplares de Portugal. Os franciscanos aqui chegados da Província de Santa Cruz em Portugal, graças ao seu zelo missionário e a qualificação dos seus religiosos artistas, deixaram ali uma monumental obra de arquitetura religiosa que honra e destaca o Estado de Alagoas. Os que ali chegam sabem avaliar o seu valor artístico, admirar a beleza  da obra arquitetônica, medir o seu valor pedagógico, enquanto nós ignoramos tudo isso, ficando satisfeitos em afirmar, apenas que ‘Marechal Deodoro é uma cidade histórica’. Ninguém o nega, mas essa cidade tem uma posição de expressivo valor no contexto de uma ‘civilização barroca que aqui se implantou’. Alagoas é um estado pequeno em suas linhas geográficas, porém, ‘grande’ na sua capacidade de assimilar toda uma cultura que nos foi legada. Precisamos acordar para aquilo que Marechal Deodoro representa para a nossa História, valendo esse comentário para a cidade de Penedo da qual falaremos em seguida”.
·         MÉRO, Ernani. Retalhos. Sergasa, Maceió, 1987.

CORPUS CHRISTI Clerisvaldo B. Chagas, 15 de junho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.683 Foto: (Pipresplendo...

CORPUS CHRISTI



CORPUS CHRISTI
Clerisvaldo B. Chagas, 15 de junho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.683
Foto: (Pipresplendor).

“A solenidade tem sua origem no século XIII, a partir das inspirações de uma monja agostiniana conhecida como Santa Juliana de Cornillon, que viveu em Liége, na Bélgica. Aos 16 anos, ela teve uma visão na qual se via a Lua, toda brilhante, atravessada por uma faixa escura. Na oração, compreendeu que a Lua representava a vida da Igreja na terra e a faixa sem luz significava a ausência de uma festa litúrgica dedicada à Eucaristia.
Juliana manteve em segredo a sua visão por cerca de vinte anos. Depois de ter assumido a liderança do convento em que vivia, confidenciou a visão a outras duas religiosas e a um padre, ao qual pediram que sondassem entre os clérigos e os teólogos o que pensavam da proposta.
A resposta foi positiva e o bispo de Liége – cidade já conhecida por seu fervor pela Eucaristia – instituiu a festa na sua diocese, sendo em seguida imitado por outros bispos.  Foi o papa Urbano IV, que havia conhecido Juliana antes de se tornar pontífice que estendeu a comemoração a toda a Igreja, com a bula Transiturus de hoc mundo, em 1.264, seis anos depois da morte de Juliana. A data fixada – e estabelecida como dia de preceito, ou seja, de obrigatoriedade de ir à missa – foi à segunda quinta-feira após a solenidade de Pentecostes, que ocorre, por sua vez, no sétimo domingo a partir da Páscoa”.

“Durante esta festa são celebradas missas festivas e as ruas são enfeitadas para a passagem da procissão onde é conduzido geralmente pelo Bispo, ou pelo pároco da Igreja, o Santíssimo Sacramento que é acompanhado por multidões de fiéis em cada cidade brasileira.
A tradição de enfeitar as ruas começou pela cidade de Ouro Preto em Minas Gerais. A procissão pelas vias públicas é uma recomendação do Código Canônico que determina ao Bispo Diocesano que tome as providências para que ocorra toda a celebração, para testemunhar a adoração e veneração para com a Santíssima Eucaristia.
O Corpus Christi não é feriado nacional, tendo sido classificado pelo governo federal como ponto facultativo. Isso significa que a entidade patronal é que define se os funcionários trabalham ou não nesse dia, não sendo obrigados a dar-lhes o dia de folga”.
·         Fontes diversas.