ONDE ESTÃO OS CINEMAS? Clerisvaldo B. Chagas, 17 de julho de 2017 Escritor Símbolo de Santana do Ipanema Crônica 1.694 Foto: (Tr...

ONDE ESTÃO OS CINEMAS?

ONDE ESTÃO OS CINEMAS?
Clerisvaldo B. Chagas, 17 de julho de 2017
Escritor Símbolo de Santana do Ipanema
Crônica 1.694

Foto: (Tribuna do Ceará).
Estamos no mês de julho que celebra festejos à Senhora Santa Ana no mundo inteiro. No Sertão alagoano se inicia a maior festa religiosa do interior que incorporou à sua abertura um desfile de carros de boi. Ano passado – segundo informações de quem viu de perto – havia 1.500 carros puxados a boi, cuja santa seguia no veículo da frente. Esse desfile que se repete em 2017, está com ares de se firmar na tradição. O Parque Izaías Vieira Rego, a três quilômetros da sede, abriga a concentração dos carreiros para o início do desfile. Fica bem perto do riacho João Gomes, afluente do rio Ipanema, lugar de origem do escritor Oscar Silva. Guiados por batedores da Polícia Rodoviária, os carreiros vencem os três quilômetros do asfalto Olho d’Água das Flores – Santana do Ipanema, e ficam no espaço da cidade denominado Ponte do Urubu. Ali é celebrada a missa campal com aspectos diferenciados.
As nove noites de festa acontecem na Matriz de Senhora Santana, fundada em 1787, pelo padre Francisco Correia e o fazendeiro Martinho Rodrigues Gaia. Após a celebração da missa, rolam as atividades profanas com o comércio de vários produtos, jogos de azar, parque de diversões e forrós nas ruas de periferia da festa. A família santanense, espalhada pelo território nacional, aproveita para voltar a terra, rever parentes, amigos e cair nas diversões ofertadas.  E se faltam àquelas gravações do parque oferecidas pelos namorados, também faz falta o cinema Glória da Rua Coronel Lucena.
Após a fase dos cinemas que se extinguiram com a diversão no lar, fruto da televisão casa vez mais aperfeiçoada, ficamos somente com as saudades da tela grande e os namoros quase inocentes do escurinho. E nesses tempos de festa da padroeira, nem as procissões passam mais à frente da casa comercial que ficou no lugar do cine Glória. Algumas poucas cidades do Brasil preservaram essas casas de diversões na íntegra. São motivos de atrações turísticas, visitas de estudantes, trabalhos escolares como forma de preservar a história municipal. No caso de Santana do Ipanema somente ficaram os edifícios para os saudosistas. A história, resumida apenas em livros e crônicas entrecortadas.

Ainda resta a pipoca, não à porta dos antigos prédios, mas dá para fazer em casa imitando o cinema com a televisão.

O REGIONALISMO SIBITE Clerisvaldo B. Chagas, 14 de julho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.694 SIBITE. (Paul...

O REGIONALISMO SIBITE
Clerisvaldo B. Chagas, 14 de julho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.694

SIBITE. (Paulo Dias).
Sempre procuramos encaixar nossas palavras, termos, frases sertanejas nordestinas em nossos escritos. Propositadamente. Sertanejo não diz umbu, fala imbu. Não pronuncia lajedo e sim lajeiro e assim por diante. Muitos cabras bestas do sertão depois que usam a primeira gravata ficam até negando as origens e falando “heresias”. E para aqueles que negam e renegam suas raízes, nunca a eles dei o valor de uma cuia furada. Mas deixemos isso para lá porque a conduta de cada um vai sendo olhada, censurada, julgada ou aplaudida. E dentro das origens ouvia na minha região – quando a criança crescida perturbava, se exibia – do mais velho perdendo a paciência Deixe de ser sibite, menino!”.
Percorrendo ontem a estrada sertão de Alagoas – Maceió, pela BR-316, íamos apreciando as paisagens sertão, agreste, mata e litoral como se fossem uma só. Um paraíso na Terra como fala certos trechos religiosos e diligentes com as coisas benfazejas da Natureza. E julho que virou junho proporcionava uma viagem tipo turística: açudes, barragens, barreiros... Superfícies lisas e brilhantes tais espelhos grandiosos. Chuvas alternando entre fracas e fortes aguavam o trecho já encharcado dos sítios rendilhando o visual das serranias. O Ipanema, o Gravatá, Dois Riachos, Traipu, estão murmurando, cheios danados, levando os alimentos da terra para o mar. E o carro rodando, rodando, rodando pelo pretume do asfalto onde outrora era somente lama ou poeira.
Em Maceió, capital surgida lá pelos cinco horas da tarde, somos recebidos pelo canto fino, repetitivo e ligeiro de alguns pássaros. Digo que sempre fiquei curioso para saber o nome da ave que invariavelmente aparece acompanhada por outras à tardinha no lugar onde me hospedo. São dois tipos de pássaros, mas o outro é o nosso bem-te-vi sertanejo existente também pelas grotas verdes de Maceió. E depois de mais de ano querendo saber, o cidadão ao lado diz: “Esse pássaro é bem pequeno e aqui é chamado de Sibite. Muita gente cria o Sibite que é danadinho de cantador”. Admirei-me por duas coisas: o sibite dos mais velhos no meu sertão, onde nuca havia ouvido falar em passarinho com esse nome. E olhe que eu conheço denominações a granel. E a outra foi em pensar como é que pode uma pessoa gostar desse tipo de canto do Sibite, a ponto de retirá-lo da Natureza e jogá-lo na gaiola.

Sei não. Mas todos têm razão e é melhor respeitar tanto o mais quieto ao mais sibite.

LANÇAMENTO DE LIVRO Clerisvaldo B. Chagas, 13 de julho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.692 Logo ap...

LANÇAMENTO DE LIVRO



LANÇAMENTO DE LIVRO
Clerisvaldo B. Chagas, 13 de julho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Crônica 1.692

Logo após os festejos de julho, Festa da Juventude e festa em homenagem à Padroeira de Santana do Ipanema, Senhora Santana, o mês de agosto reserva grande surpresa para os santanenses. Será lançado nos salões da Associação Atlética Banco do Brasil ─ AABB, o livro intitulado “230” de Clerisvaldo B. Chagas. O livro é uma homenagem aos 230 anos da fundação de Santana do Ipanema (1787-2017). O “230” conta a história iconográfica de Santana através dos seus edifícios, lugares e situações. O livro/enciclopédia é dividido em duas partes: Seção Normal e Seção Nostalgia. A Seção Normal contém 131 fotos do autor, baseadas em 2013. A Seção Nostalgia apresenta-se com 83 fotos antigas como foram encontradas em mãos de terceiros, sem nenhuma maquiagem. Todas as fotos possuem legendas indicativas, datas, e datas de captura.
Santana já ganhou a sua identidade com o “O Boi, a Bota e a Batina; História Completa de Santana do Ipanema”, que concorre em concurso estadual para sua publicação. É o maior documentário sobre Santana jamais produzido no município. Santana já ganhou o seu CPF com o livro “Ipanema, um rio macho”, num documentário único e completo sobre o rio que dá nome à cidade. Agora Santana vai ganhar o histórico dos seus prédios de tanta importância como vila e como cidade, cujas demolições originais se sucedem sem nenhum critério. Assim o livro/enciclopédia “230” será o DNA de Santana do Ipanema. Todos os livros acima são do autor Clerisvaldo B. Chagas que assim quer encerrar a longa série de documentários para dedicar-se aos seus romances. Livros inéditos: Romances do ciclo do cangaço: Deuses de Mandacaru, Fazenda Lajeado, Papo-Amarelo (mais recente) Maria Bonita, a Deusa das Caatingas (documentário), Colibris do Camoxinga (poesia), Barra do Ipanema, Um Povoado Alagoano (documentário), Repensando a Geografia de Alagoas (didático) e em formação: 100 milagres inéditos do Padre Cícero.
O livro “230” será lançado no dia 12 de agosto (sábado) véspera do Dia dos Pais. Será apresentado por mais dois escritores alagoanos com musical de dois artistas compositores e cantores. Uma noite bem sertaneja.
O lançamento será para cem pessoas, um círculo que formou parceria para possibilitar a obra. Os interessados em adquirir o “230”, poderá se inscrever sobre certas condições, com Marcello Fausto, na Escola Helena Braga, que está assessorando o autor nesta empreitada.

É TEMPO DE URTIGA Clerisvaldo B. Chagas, 12 de julho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.692   O raizeiro e...

É TEMPO DE URTIGA



É TEMPO DE URTIGA
Clerisvaldo B. Chagas, 12 de julho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.692
 
O raizeiro examina uma das 45 espécies de urtiga. Foto: (Clerisvaldo B. Chagas).
Aproveitando esse maravilhoso inverno sertanejo, é bom alertar para os que não conhecem a região e gostam de andar em trilhas a que nós chamamos veredas, varedas para os nossos roceiros. Nesta época, além de aparecer bastantes formigas pretas, surgem bandos de pequenos mosquitos de frutas e a mutuca que tem o triplo do tamanho de mosca comum. Esta costuma posar na pele provocando dor rápida e abusada. Não ataca em bandos. É individual e faz você exercitar a palma da mão tentando matá-la em qualquer parte descoberta do corpo. Os mosquitos trazem enfado e agonia, gastura, como se diz por aqui. Exigem seu deslocamento rápido do lugar. Quanto às formigas pretas, atacam ferozmente quando se coloca o pé no lugar errado.
No mato verde da caatinga, porém, o cuidado especial é com a urtiga, planta que se prolifera com facilidade e marca presença em todos os recantos. Suas folhas causam queimaduras, coceiras e agonia que levam horas para melhorar. Essas folhas são revestidas de pelos que contém ácido fórmico que produz vermelhidão e muita dor. Os coronéis costumavam punir seus desafetos com surras de urtiga, planta que se conhece desde os tempos de antes de Cristo. O leite de magnésia é recomendado para o caso de ser tocado pela planta.
Coincidindo com o tempo invernoso dos nossos sertões, recebemos como presente, o cordel sobre plantas da caatinga e suas curas, do cantor, compositor e raizeiro Ferreirinha. É um folheto de cordel longo que fala sobre outras coisas também em relação às plantas.
Mas a urtiga não é somente maldade para os passantes da caatinga. “Na medicina de ervas moderna, raiz de urtiga é usada para tratar a hipertrofia prostática benigna. Várias formas de raiz, incluindo cápsulas, extratos e chás, são tomadas para aliviar os sintomas urinários desta condição comum. Porém, novos ensaios clínicos são necessários antes que este uso possa ser amplamente recomendado e comprovado”.
Mas, independente dos conselhos médicos, raizeiros do Sertão não deixam de indicar os benefícios da urtiga, folhas ou raízes. E como já disse outras vezes, não existe um só pé de mato sertanejo que não sirva para remédio.
É a medicina popular em favor da saúde contra os altos preços das farmácias brasileiras.





MAR VERMELHO Clerisvaldo B. Chagas, 11 de julho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Mar Vermelho (divulgação) Olha...

MAR VERMELHO



MAR VERMELHO
Clerisvaldo B. Chagas, 11 de julho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano

Mar Vermelho (divulgação)
Olhando para o movimento turístico em Alagoas temos destaque para Maceió, Marechal Deodoro ─ cidade do entorno ─ e Maragogi no litoral norte, como polos mais fortes ultimamente. A propaganda lá fora valoriza muito o litoral e não é à toa dizer que a região norte litorânea está repleta de italianos. Dólares, euros, cruzeiros, ônibus e aviões vão sustentando essa atividade que passou a ser a segunda renda do estado. No interior surge Penedo perto da foz do rio São Francisco, primeiro núcleo habitacional fundado em Alagoas. O turismo ali baseia-se na sua história propriamente dita e nos velhos casarões que glorificaram o seu passado. O rio São Francisco é fonte de atração perene marcando indelevelmente a região. Depois de uma novela na rede Globo, Piranhas, mais acima, foi mostrada ao Brasil inteiro e as visitas se intensificaram por ali baseadas em suas belezas naturais.
Mas nessa política devagar na busca da interiorização surge o Festival de Inverno de Mar Vermelho. Município que antes pertencia a Anadia tem uma população de cerca de 3.674 habitantes. Ultimamente vem se destacando mais pela sua posição geográfica uma vez que sua altitude permite clima de serra e já está sendo conhecida como “Suíça alagoana”. Antigamente o povoado era rodeado de gravatás que deixa cair suas folhas avermelhadas. E como havia depressão com água pelos arredores, as folhas foram colorindo a superfície tanto que chamou atenção de certo criador de gado e que chamou o lugar de Mar Vermelho. A cidade também é conhecida por suas fontes de águas minerais e por possuir um clima favorável para quem sofre de certos problemas de saúde.
Seu clima é frio e seco no inverno podendo chegar aos 10 graus; e sua padroeira é Nossa Senhora da Conceição.
Para quem procura se divertir e gosta desse atrativo, o Festival de Inverno que se destaca como um dos melhores do Nordeste fica à disposição. Para quem gosta de Natureza e tranquilidade, poderá enfrentar suas serras e pontos mais altos consagrados, além da calma de uma cidade com tão poucos habitantes.
Enquanto isso continua a luta de formiguinhas de outros interiores em busca de um lugarzinho no turismo para pegar as migalhas turísticas que caem do gigantismo litorâneo. Ô Brasil!

RIOS CHEIOS, BARRIGAS CHEIAS Clerisvaldo B. Chagas, 10 de junho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.690 Rio I...

RIOS CHEIOS, BARRIGAS CHEIAS



RIOS CHEIOS, BARRIGAS CHEIAS
Clerisvaldo B. Chagas, 10 de junho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.690
Rio Ipanema (Arquivo).

Até agora no Sertão de Alagoas continua o formidável inverno. Não estamos ainda nem na metade da época das chuvas e nunca se viu por aqui, tanta água como no mês de junho. Mesmo pertencente ao período invernoso, o mês de São João sempre foi moderado, deixando quase toda pluviosidade das duas estações para o mês pesado de julho. Após os seis anos de seca, junho de 2017 chegou disposto a apagar toda má impressão do flagelo. Nunca tínhamos visto junho tão bravo como agora. Chuvas ou muitas ou poucas foi uma tirada só dia e noite sem direito a descanso. No caso das chuvas, o sertão virou Amazônia, no caso do frio, virou Paraná. Somente agora à noite o tempo resolveu dar uma trégua depois um mês e nove dias.
Enquanto a época traz bastantes transtornos para a capital o velha Sertão de guerra agradece a Deus todos os dias por tamanha bondade. Tem pasto para o boi, o cavalo, o carneiro e os bodes que bodejam alegres escolhendo a cabrinha de preferência. Barreiros, barragens, pilões de pedra, açudes, sangram esbanjando crédito. Rios e riachos ficaram robustos em suas cheias barrentas avisando a fartura regional. Corre o Ipanema, o Traipu, Capiá, Dois Riachos, Riacho Grande, Jacaré, Farias, Desumano, Camoxinga e outros menores, levando para os nascidos ontem como era no passado. E você quer saber? Daí surge o feijão-de-corda, de arranca, fava, andu e o milho tão festejado em todos os lugares. O vento assovia nas telhas e os cobertores pesados não encontram sol para tirar o cheiro.
Ninguém pode ser inimigo de inverno e nem verão. O que falta são as ações efetivas e permanentes para o resguardo de vidas. Na zona da Mata, em muitas cidades as casas foram construídas muito perto de rios perigosos. Os extensos canaviais dos grandolas não permitiam ceder um palmo da terra para a pobreza que se foi acumulando na área de risco. As tragédias são repetidas na capital, principalmente, pela cegueira das autoridades. Quinze mil famílias vivem dentro das grotas, clamando por melhoria que quando chegam vêm à moda de conta-gotas. São Pedro nada tem a vê com isso, pois ele não desvia verbas públicas, nem está envolvido na Lava-Jato.
Lembra-se da trégua citada no primeiro parágrafo? Acabou agora mesmo antes de chegarmos ao último.
No Sertão, rios cheios, barrigas cheias. Viva a chuva, comadre!