MAIS ASFALTO EM SANTANA Clerisvaldo B. Chagas, 8 de agosto de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 1.959   FOTO: ...

MAIS ASFALTO EM SANTANA


MAIS ASFALTO EM SANTANA
Clerisvaldo B. Chagas, 8 de agosto de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1.959
 
FOTO: JEAN SOUZA
Desde o primeiro anúncio que Santana do Ipanema ganharia 20 km de asfalto urbano que o tempo pareceu infinitamente esticado para a população. Entretanto, agora os meios de comunicação publicam o início das obras a partir dos Bairros Domingos Acácio/Floresta em direção ao Hospital da Cajarana onde também se encontra o Campus da UFAL. 20 km de asfalto equivalem, aproximadamente, ao trajeto Santana – Olho d’Água das Flores. Levando-se em consideração o tamanho das ruas, inúmeras serão beneficiadas, mas essas que terão esse benefício ainda não tiveram seus nomes divulgados. Mesmo assim isso não é nenhum problema, pois o importante é que os trabalhos sejam realizados.
A Prefeitura Municipal mais o Governo do Estado marcam assim um tento merecido e, para nós, independente de política. Não podíamos, como cidade polo, sair eternamente perdendo para inúmeras cidades menores que vem dando banho de piche, melhorando e ornando seus núcleos. É com muito gosto que o visitante passeia por uma cidade limpa, bem asfaltada, sinalizada e bela. Vivemos em tempos de evolução rápida e não podemos ficar dormindo sobre os louros da história. E se hoje somos a Arapiraca do Sertão, precisamos muito mais estrutura para novos e constantes empreendimentos; viadutos e viadutos, longos e pequenos, pontes sobre o Ipanema, novas avenidas, becos e ruas onde a engenharia possa mostrar um novo perfil futurista e seguro.
Asfalto não é mais privilégio para ninguém, mas sim necessidade fremente do ruge-ruge automobilístico do século XXI. Além do conforto para máquinas e condutores, triplicam os valores de imóveis de negócios e residenciais por onde se mudam paisagens. Não falaremos aqui de outras coisas relativas para não estragar a merecida euforia tanto das autoridades quanto das pessoas das ruas que receberão as ações do governo. Mas nesse primeiro momento, o gestor merece sim, receber os parabéns, sem política e sem puxa-saquismo, assim como da crítica quando necessária. Será que depois as comparações serão melhores em relação à cidade A ou B?
Equilíbrio é a senha, gente!

A REVOLUÇÃO E O PADRE Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 1.958 Execução de ...

A REVOLUÇÃO E O PADRE


A REVOLUÇÃO E O PADRE
Clerisvaldo B. Chagas, 7 de agosto de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1.958
Execução de Frei Caneca. (Por Murillo La Greca).

Falar sobre o padre Francisco José Correia de Albuquerque é coisa prazerosa e melhor ainda seria uma palestra viva sobre ele. Mas, entre tantos atributos do “Santo Padre Francisco”, queremos registrar um vaticínio entre os inúmeros citados pela sua pessoa. O padre Francisco, natural de Penedo, possuía grande força espiritual, semelhante ao padre Cícero do Juazeiro, mas, talvez devido aos escassos meios de comunicação da época, ficou esquecido para as nossas últimas gerações. Quem lê a sua biografia fica extasiado e quase nem acredita na leitura. Fez muito por Santana do Ipanema, sendo o fundador da capela que deu origem à Matriz, introduziu Senhora Santana na região, foi o primeiro pároco, contribuiu para que Santana passasse a povoado freguesia. O padre Francisco ainda foi deputado e conselheiro da província de Alagoas.
Mas voltemos ao vaticínio escolhido. No dia, provável, de 6 de março de 1817, estava o Santo Padre Francisco, diante de multidão em Poço das Trincheiras. No meio do sermão, parou a palavra por alguns instantes, deixando a multidão em suspense. Depois, erguendo a cabeça e retornando à palavra, disse: “Começou uma revolução no Recife”. E de fato, naquele exato momento, tinha início na capital de Pernambuco à chamada Revolução Pernambucana.
A Revolução Pernambucana envolveu religiosos (mais de 60 padres), militares, intelectuais e populares. Durou 75 dias, quando parte do Nordeste ficou independente do Brasil, durante esse período. No fim, o governo central ganhou a guerra, muitos líderes foram condenados à morte, outros anistiados, mas houve ainda muitas desordens e assassinatos. A história exalta, entre outros, a figura de Frei Caneca como herói, tanto da Revolução Pernambucana quanto da Confederação do Equador.
Quanto ao missionário penedense, morreu em 1848, no sítio Casinha, a meia légua de Bezerros, Pernambuco. “Aberta tempos depois sua sepultura, de seus despojos trescalava um cheiro tão suave que excedia ao dos aromas e flores mais fragrantes”.
                                                                                                   

VOLTANDO À CALÇADA ALTA DA PONTE CRIANDO TEORIAS, DEFENDENDO TESES. Clerisvaldo B. Chagas, 6 de agosto de 2018 Escritor Símbolo do...

VOLTANDO À CALÇADA ALTA DA PONTE, CRIANDO TEORIAS, DEFENDENDO TESES


VOLTANDO À CALÇADA ALTA DA PONTE
CRIANDO TEORIAS, DEFENDENDO TESES.
Clerisvaldo B. Chagas, 6 de agosto de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
     Crônica: 1.957

Colégio construído no entulho do riacho. (Foto: B. Chagas).
Há muito tempo tive curiosidade sobre a região onde está assentado o Colégio Estadual professor Mileno Ferreira, em Santana do Ipanema. Para os profissionais da Geografia coisas diferentes no espaço chamam atenção. Criei para mim mesmo a tese de que o riacho Camoxinga, antigamente, foi bastante represado pelo rio Ipanema e, seus sedimentos trazidos formou a região do Colégio. Antes ali era a fazenda do senhor Frederico Rocha, cujo terreno sempre pareceu formado das areias do riacho Camoxinga. Com o tempo, após haver formado a pequena planície de aluvião, o riacho teve seu curso desviado e formou outro percurso até o rio Ipanema que é o percurso atual. Não havendo ninguém na cidade que discuta essas coisas, a tese ficou adormecida.
Sábado, ao retornar à missa na Matriz de Senhora Santana, encontrei-me com o senhor Manoel Fontes (85 anos) e ele, sem ser geógrafo, apenas um observador das coisas como eu, confirmou a minha segunda tese. Disse-me ele que toda aquela parte da calçada alta da ponte, foi construída pela natureza pelo represamento das águas do riacho Camoxinga. Formou-se ali uma região de detritos trazidos pelo riacho, represados pelo remanso do rio Ipanema que envolve a Rua da Calçada Alta da Ponte que precisou de muito alicerce para sua formação naquela altura, em cima da areia do riacho Camoxinga. A altura foi para não ser surpreendido pelas cheias do rio e do riacho que eram mais altos e não havia barragem no leito de toda a região. Disse-me ainda seu Manoel que demolir as casas da rua para nivelar por baixo, volta-se ao nível do riacho Camoxinga antes da formação da pequena planície de areia e que representaria o mesmo perigo das construções que fizeram no leito do Ipanema e do riacho. Esse foi o segundo entulhamento do riacho Camoxinga, envolvendo toda a região da chamada Ponte do Urubu, após entulhar a região do Colégio Estadual. Sendo que aí o riacho não se desviou e sim, criou uma ravina como saída.
O rio Ipanema e o riacho Camoxinga eram altos e foram escavados pelas águas até o nível atual. Divido com o senhor Manoel Fontes as duas teses sobre o riacho Camoxinga, entregando a Santana esse documento virtual que indica a falta de planejamento para expandir a cidade há muito. Este é o único documento em que se fala deste assunto. Deveria ser guardado como relíquia histórica e geográfica do riacho Camoxinga, pelos registros do patrimônio de Santana do Ipanema.
E sobre o ato de demolir ruas e alicerces, não é problema nosso.

SEU FRANCELINO Clerisvaldo B. Chagas, 3 de agosto de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 1.956   Vassourinha-de-...

SEU FRANCELINO


SEU FRANCELINO
Clerisvaldo B. Chagas, 3 de agosto de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1.956
 
Vassourinha-de-botão. (Foto: Reprodução/Flor de Lis).
No Sertão, todo mato serve para alguma coisa. Para comer, para medicamento, para males físicos via espiritual. Podemos afirmar com toda ênfase que a vegetação sertaneja é uma grande farmácia ao ar livre. Desde a raiz da perigosa urtiga até árvores frondosas como a quixabeira. Desde quando os indígenas sertanejos da colonização passaram para os nossos antepassados brancos seus conhecimentos medicinais que a flora vem sendo utilizada. Mesmo nos tempos atuais, as pessoas sertanejas continuam recorrendo aos conhecimentos dos nossos avós. Aliás, os próprios remédios de farmácia vieram das plantas, primeiros socorros naturais da humanidade. O que se exige hoje é um maior cuidado ao usar a fitoterapia.
Como criança, o mais antigo rezador que cheguei a conhecer e precisar dos seus serviços foi o senhor Francelino. Já em torno dos sessenta anos, morava o homem no lado de baixo da Rua São Pedro. Franzino, educado, paciente e solícito, bastava mandar chamá-lo para o seu comparecimento. Identificado o incômodo, seu Francelino ia até o outro lado da rua sem calçamento e apanhava três pés de “vassourinha”, entre as pequenas plantas da via. Mandava o paciente sentar perto da porta aberta e passava o ramo murmurando as suas orações. Ao final da reza – que nem demorava muito – as plantinhas murchavam e eram jogadas por ele no meio da rua. Em pouco tempo o doente ficava curado e até saía pulando igual a cabrito.
Não queremos fazer propaganda da vassourinha-de-botão (família das Rubiaceae) dizendo que ela é utilizada em chás contra asma, diabete, hemorroidas, varizes, ameba, dermatoses, erisipela, febre, vômitos e tosse. Estamos apenas dando um balanço na vida com tantos males chegando da alma, do interior, da consciência e da boca do Homem. E nas circunstâncias buliçosas da vida moderna, às vezes nos encolhemos e nos acovardamos diante de forças que não sabemos combater. Colocando fogo no cachimbo – igualmente aos pajés das tabas selvagens – deixamos subir a fumaça do espiritualismo alentador...
Ah! Quanta falta faz SEU FRANCELINO.






TEMPO BRABO C lerisvaldo B. Chagas, 2 de agosto de 2018 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica: 1.955   NEBLINA. (FOTO: G...

TEMPO BRABO


TEMPO BRABO
Clerisvaldo B. Chagas, 2 de agosto de 2018
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica: 1.955
 
NEBLINA. (FOTO: GOVERNO DE SÃO PAULO).
Madrugada caiu gelo no Sertão alagoano, meu compadre. Essa era a expressão usada por minha sogra e com razão. Céu limpinho, limpinho, mas foi preciso um casaco e dois cobertores para aguentar o tranco. Julho recebeu agosto pocando, como também diz a juventude. Mas as chuvas principais que são aguardadas em julho vieram este ano apenas como amostra grátis. E como o nosso chamado inverno geralmente tinha como limite o dia 15 de agosto, foi um fracasso. O mês em que nós estamos costuma ser o mais frio do sertão, notadamente, na primeira quinzena. Entretanto, a frieza muitas vezes destruiu os feijoais, seguida de pragas de lagartas. Novamente o homem do campo bota as mãos na cabeça e desengana.
Pela manhã só aparece a neblina ou nevoeiro, isto é, uma formação de nuvens pouco espessas próximas da superfície, provocadas pelo resfriamento e condensação do ar úmido, também próximo da superfície. Isso ocorre, geralmente em noites claras, de céu límpido, sobretudo no inverno e no outono. O solo perdendo rapidamente calor provoca o resfriamento do ar das camadas contíguas à superfície, e a umidade condensada aparece sob a forma de nevoeiro, que tende a acumular-se nos vales e nas planícies. Isso porque o ar frio, sendo mais pesado, geralmente se concentra nas partes mais baixas do relevo. Nem sei se o compadre estar entendendo alguma coisa, mas é assim que a Geografia diz.
Chamamos também de orvalho outro fenômeno parecido.  Este aparece quando o ar durante a noite resfria-se abaixo do ponto de saturação. Esta forma de condensação ocorre muito próxima da superfície e pode ser observada nas plantas e nos objetos ao amanhecer. Quando, porém, a condensação ocorre com temperaturas inferiores a 60 C, surge a geada, representada pela formação de uma camada fina de gelo sobre a vegetação e outros objetos.
A propósito, também chamamos no sertão a condensação do orvalho no início da noite, de sereno. As crianças são sempre advertidas pelos pais: “Saia do sereno, Mané!”
Ô Sertão velho de guerra!