TEMPOS DE EXCURSÕES (Clerisvaldo B. Chagas. 1.2.2010) Para o “Primo Véi” e todos os da 8º Série que estavam nesse episódio Corria a época...

TEMPOS DE EXCURSÕES

TEMPOS DE EXCURSÕES

(Clerisvaldo B. Chagas. 1.2.2010)
Para o “Primo Véi” e todos os da 8º Série que estavam nesse episódio

Corria a época de bailes e excursões no Ginásio Santana. Nas formaturas de 8ª série apresentavam-se as escolhas, ou baile no Tênis Clube Santanense ou excursão em outros estados. Em 1966, trabalhamos duro para a segunda idéia. Promoções, rifas, contribuições, nos deixaram com um bom dinheiro em caixa. Ganhamos o transporte e a hospedagem. A verba ficou apenas para as despesas comuns. Era uma turma enorme. Escolhida Fortaleza como destino, iríamos pelo litoral e retornaríamos pelo interior. Ante do amanhecer, estávamos no ônibus novo vindo de Maceió e, as colegas cantavam o sucesso do momento: Madrugada vem chegando, ô/ o sereno vem caindo/ cai, cai sereno, devagar/ meu amor está dormindo...
Fomos pernoitar no Recife após grande animação de viagem. No dia seguinte acampamos em João Pessoa, aliviando a algazarra e o enfado nas areias da praia de Tambaú. Estávamos perto do ponto extremo leste do Brasil. Foi uma delícia! Nem dava mais vontade de sair. Continuamos viagem e fomos dormir em Natal, estranhando o costume das redes em todos os hotéis. Antes de chegarmos ao destino, passamos uma noite na beira da estrada de areia branca. Houve serenata sobre um lajeiro numa bela noite de luar. Depois cada um se acomodou como pode e, nas primeiras horas do dia entrávamos em Fortaleza, nosso destino. Ficamos hospedados à Avenida Senador Pompeu em um hotel pertencente à família alagoana. Conhecemos todos os pontos turísticos, inclusive a praia de Iracema e o mercado que muito me impressionou pela higiene. Após cerca de dois dias e meio, iniciamos o retorno pelo interior. Depois de Mossoró, rumo a Juazeiro do Norte, enfrentamos uma longa travessia monótona de garranchos e pedregulhos. Após esse trecho sem graça, finalmente despontamos nas serranias do vale do Cariri. Bela paisagem vista do alto no dramático torrão do padre Cícero. Excursão bem comportada sob o comando do professor Antonio Dias, não dava trabalho em lugar algum. Assim visitamos o horto, as igrejas, museus, mercado e comércio da “Meca nordestina”.
A volta a Santana do Ipanema, foi cheia de comentários de causar inveja em outros estudantes. Ainda sobrou dinheiro na caixa e gastamos coletivamente. Dessa 8ª série, acho que entre 49 e 51 alunos, lembro de todos. (Foto no livro ainda não publicado: “O Boi, a Bota e a Batina, História Completa de Santana do Ipanema). Dos investimentos de pais e Ginásio, saíram da 8ª de 1966, os mais diversos profissionais que estão servindo à sociedade. Professores, engenheiros, políticos, contadores, empresários, escritores, bancários e mais de uma dezena de outras profissões (político entra como profissão, humm!).
Como juntar agora todo esse pessoal para um dia inteiro de recordação? Tenho comigo que esse hábito saudável não permanece mais. Pelo menos fica registrado para essa juventude como fazíamos nos TEMPOS DAS EXCURSÕES.


O MUNDO GIRA (Clerisvaldo B. Chagas. 29.1.201) Parece tolice dizer que o mundo gira. Muita gente, porém, nunca ouviu falar sobre esse assun...

O MUNDO GIRA

O MUNDO GIRA

(Clerisvaldo B. Chagas. 29.1.201)
Parece tolice dizer que o mundo gira. Muita gente, porém, nunca ouviu falar sobre esse assunto da Geografia. Em Santana do Ipanema, lá para as bandas do Sertão alagoano o filho de “Chica Boa” decorava bem essa aula espacial. Beberrão e servente de recados, ”Giramundo”, sem inimigos aparentes, batia o chão da cidade andando mais do que a besta de “Zé Urbano”. Vez em quando Giramundo desaparecia, mas sempre retornava ao lugar da velha doceira da porta do cinema. Ao contrário de Giramundo, pessoas escoladas, tido mesmo como sabidas, tem uma noção quase perfeita dos movimentos planetários. Mas é que, chegada à hora do uso, a sabedoria põe uma venda. Muitos são surpreendidos, então, pelo giro da Terra, ou seja, pelo giro da vida. Os que mandam, os que perseguem, os que semeiam pedras, não raramente são levados para a parte baixa. A parte baixa, tanto pode ser a mola impulsora para cima, quanto à expiação dos que estavam acima. Ô... É complicado? Bem, aí é outra história. Estão usando agora essa palavra para novas funções. Mas isso não impede o giro do mundo como estávamos dizendo. E os simples entendem. E os arrogantes não conseguem o entendimento porque a eles não lhes foi dado compreender.
Mas também existem outros giros que intrigam os pesquisadores. Muitos brasileiros deixam a terra natal e se aventuram pelo mundo, enfrentando os obstáculos do estrangeiro. Inúmeros não querem mais voltar, Outros querem e nunca podem, morrendo em terras estranhas. Mas o que estar acontecendo com os nossos craques? Foram aos paraísos da fama, da riqueza, do alto luxo (nem sabemos como conseguem gastar tanto dinheiro que adquiriram com o suor do rosto). Então, por que o Adriano retornou ao Brasil da violência do Rio? Qual o verdadeiro motivo da volta de Ronaldo? Quais os sentimentos que trouxeram Wagner Love? Por que Roberto Carlos preferiu São Paulo? E a fama? E o luxo? E os carrões? Por que fugir das platéias civilizadas da Europa? Por que tanta gente boa de bola abandona aqueles estádios e reiniciam no Brasil?
Será que estamos diante de um novo fenômeno de volta da emigração também de jogadores de futebol? Queremos dizer, de volta em massa, depois desses quatro. Aliás, cinco, para falar apenas nos mais conhecidos. Robinho vem aí. Quando retornarão Ronaldinho e Kaká? Será que acontecendo um êxodo ao contrário, jogadores europeus também procurarão o Brasil? Nunca houve uma crônica com tantas interrogações.
Pulando dos grandes para os menores centros: como vai o Ipanema na luta pelo título alagoano? Vamos girar essa roda e torcer para que o “canarinho” vá para cima. Ora! Vamos conversando as amenidades de fim de semana. Conversa de bar também faz parte da web. E uma cerveja geladinha... Vale o esforço dos dias anteriores. Conversando miolo de pote... Gira o mundo; mundo com Giramundo... O MUNDO GIRA.



UMA CASA ABENÇOADA (Clerisvaldo B. Chagas. 28.1.2010) Sabemos que o maior driblador do mundo em todos os tempos foi o Garrincha. Um mág...

UMA CASA ABENÇOADA

UMA CASA ABENÇOADA

(Clerisvaldo B. Chagas. 28.1.2010)

Sabemos que o maior driblador do mundo em todos os tempos foi o Garrincha. Um mágico da bola que fazia vibrar as multidões. Todavia temos outras lembranças gratificantes que ficaram gravadas nas fases criança e adolescência. São coisas simples que ornam a vida das pessoas sensíveis. As cenas do cotidiano que dão material ao guri para os escritos de amanhã. O alimento da alma que faz a diferença entre artistas e comuns. Lembramos das criaturinhas de Deus, criadas para alegrar o homem. São os pássaros que povoam o mundo com suas particularidades regionais e das próprias espécies, porém, com as mesmas finalidades da música que acalma os nervos. Alguns passarinhos ganharam fama nas lendas do povo sertanejo. A lavandeira, por exemplo, presente no meu romance inédito Fazenda Lajeado, “enquanto os judeus riam ao maltratarem Jesus, a lavandeira lavava os paninhos ensaquentados de Nosso Senhor”. No Sertão não se mata lavandeira por causa dessa lenda. Já o bem-te-vi, também presente naquelas páginas, não tem bom conceito com o povo. “Quando Jesus Menino fugia para o Egito com Maria e José, os soldados perguntavam se haviam visto essas pessoas. O povo negava, mas o bem-te-vi dizia no seu canto: bem que vi! Bem que vi! Outro pássaro, por nome de anum (tem o preto e o branco) é difícil de ser atingido, porque pula para cima tantas vezes venham balas; daí a expressão popular de advertência para quem quer fazer o que não pode: quem tem pólvora pouca não atira em anum. O joão-de-barro e a maria-de-barro constroem suas casas voltadas para o nascente prevendo um ano sem chuvas. O casal trabalha a semana toda e descansa aos domingos.
Conversando com certo eletricista que trocava uma caixinha de energia na minha casa, aprendi mais. Falei a ele que um casal de garrinchas fez ali o seu ninho, colocou os ovos e levou os pelocos. Ninguém mexeu com eles. Fiz ver o tempo de criança quando esse pássaro saltitante, marrom claro, empinado, nervoso e alegre, fazia seus ninhos nas biqueiras da casa de meu pai. Sempre gostei de garrinchas. Mas outros animais como vários marimbondos se arrancharam em minha casa, fizeram seus ninhos e levaram seus filhotes. Nunca os expulsei nem eles atacaram nem a mim nem aos visitantes. Foi quando o eletricista disse: “Professor, a casa onde a garrincha tem guarida é uma casa abençoada. Meus avôs já diziam e minhas bisavós também. Deus está presente na casa e a garrincha é como um enviado de Deus para confirmar a benção”. Lembrei da proteção divina à morada de meu pai. Senti que a minha casa também era abençoada; apenas confirmamos a crença popular. Aprendi mais essa sobre as observações da nossa gente.
Histórias que o povo conta a respeito de aves e pássaros sertanejos enriqueciam somente o folclore do País; atualmente, muitas dessas histórias são comprovadas através de estudiosos do assunto. Torça meu caro internauta, para que uma garrincha procure a biqueira da sua residência. Acredito sim, numa CASA ABENÇOADA.



UM SAPO SE DIVERTE (Clerisvaldo B. Chagas. 27.1.2010) Para os professores da ESSER, em particular à Profª Mª Cledilma Costa. Quando em...

UM SAPO SE DIVERTE


UM SAPO SE DIVERTE

(Clerisvaldo B. Chagas. 27.1.2010)
Para os professores da ESSER, em particular à Profª Mª Cledilma Costa.

Quando em Santana do Ipanema só havia pequenas escolas particulares ou dos governos, trabalhavam até a antiga 4ª série primária (hoje, 4ª do Fundamental). A primeira escola grande que surgiu no Município era particular e funcionava até a 8ª série. Com o nome de “Colégio Santanense”, foi fundado o estabelecimento no ano de 1934, à Rua Benedito Melo (Rua Nova) nº 281. Conduziu esse colégio o Prof. Flávio Aquino de Melo, substituído depois pelo futuro escritor Floro de Araújo Melo que cerrou as suas portas em 1940. O Grupo Escolar Padre Francisco Correia, lecionando somente até a 4ª série, foi fundado em 1938, trabalhando assim paralelamente ao colégio particular durante dois anos. Uma vez extinto o Colégio Santanense, Santana passou mais dez anos sem o ensino da 5ª a 8ª. Quando o Ginásio Santana chegou ─ 1950 ─ teve início o tão desejado Curso Ginasial que iria trabalhar da 5ª a 8ª série.
Além de tantas coisas a respeito do Ginásio, era costume acontecer formaturas e excursões de final de ano. Em uma delas, uma turma de 8ª foi conhecer a capital da Bahia, conduzida pelo motorista senhor José Gomes, mais conhecido como “Sapo”. José Gomes, sujeito paciente e querido por todos, gozava de ótima capacidade pardalesca. Uma espécie de cientista sem incentivo. Ao retornar a excursão, cada um que contasse entusiasmado a resenha da viagem onde jorravam as gargalhadas com as situações vividas. Falaram sobre um paliteiro que ninguém soube como puxar o palito. Disseram sobre um colega que de posse do cardápio pediu um copo de “leitão”. E coisas e mais coisas que se passaram no hotel, na praia, no comércio... A que mais chamou a atenção foi à coincidência no trânsito de Salvador. O trânsito estava caótico, os condutores de veículos nervosos e a temperatura altíssima. Ao passar por outro carro lotado de estudantes, José Gomes fez uma manobra que não agradou aos baianos. Foi aí quando um deles, vendo a placa de Alagoas, gritou como xingamento: “Volte para sua (A) lagoa, sapo!” E ficou aguardando a reação dos alagoanos que caíram numa tremenda gargalhada coletiva. Ainda hoje os baianos não sabem por que um xingamento transformou-se em festa do outro lado. Era realmente um “sapo” que estava dirigindo. Meu irmão mais velho fez parte da excursão e ria a valer ao lembrar o episódio.
José Gomes, carinhosamente “Sapo”, continua amigo de todos e caladão frequentando as ruas de Santana. O Ginásio ainda existe, porém, não é mais o mesmo. Acho que os costumes de excursões em final de ano são coisas esporádicas. Dessa maneira só resta aos saudosistas a dolorosa mexida no baú do tempo. Se não são fábulas, pelo menos aparentam. De qualquer maneira é assim que UM SAPO SE DIVERTE.



ONDE ESTÃO NOSSAS INDÚSTRIAS? (Clerisvaldo B. Chagas. 26.1.2010) Acontece muitas vezes um pai sufocar a vocação do filho. Como o poema ...

ONDE ESTÃO NOSSAS INDÚSTRIAS?

ONDE ESTÃO NOSSAS INDÚSTRIAS?

(Clerisvaldo B. Chagas. 26.1.2010)

Acontece muitas vezes um pai sufocar a vocação do filho. Como o poema sertanejo cantado ao som da viola nordestina, o filho resiste à pressão paterna:

“... Eu disse papai não tome
Esse dom que é todo meu
Aquilo que Deus me deu
Só mesmo a terra é quem come...”

Santana do Ipanema, já foi dito aqui, é cidade comercial por excelência desde os tempos de povoado/vila. Foi entreposto entre Pão de Açúcar (porto fluvial exportador e importador da época) e todo Sertão alagoano. Atualmente Santana possui o segundo melhor comércio do interior, perdendo apenas para a cidade de Arapiraca. Entretanto, a terra de Santa Ana bem que poderia ter sido também industrial. O descaso, a falta de compromisso ou a ignorância, “sufocaram a vocação do filho”.
Na segunda metade do século passado, Santana do Ipanema iniciava um processo fabril rudimentar, movimentando o Município com várias fabriquetas. Em se tratando de calçados, tínhamos a fábrica de “Seu Pimpim” à Rua do Comércio; a de Evilásio Brito à Rua Barão do Rio Branco; a de “Seu Elias” à Rua São Pedro; e a de “Zé Limeira” à Rua Antonio Tavares (inclusive anexada a uma fábrica de malas). Havia ainda fabriquetas de colchões espalhadas pela cidade, entre as quais a de “Júlio Pisunha” à Rua Antonio Tavares. Compravam-se carne-de-sol em duas ou três fábricas chamadas “salgadeiras”, com destaque para a salgadeira de “Otávio Magro” também à Rua Antonio Tavares. Perto da igreja São Pedro havia uma fábrica de mosaico que se destacava pela qualidade e pelas variadas estampas, pertencente a “Zezito Tenório”, dono das terras do futuro bairro São José. Nas localidades suburbanas da Maniçoba e do Bebedouro, curtumes movimentavam a cidade com a compra de cinzas dos fogões a carvão e à lenha e vendiam rolos de sola. No Bairro Floresta funcionava uma fabriqueta de corda de caroá. Quanto ao fabrico de móveis, havia várias fábricas, cujo destaque era a do senhor José Costa que funcionava no Bairro Monumento. Na Rua do Comércio encontrava-se uma fábrica de aguardente e vinagre do proprietário Antonio Bulhões. Nas proximidades da Ponte Cônego Bulhões, Rua Margem do Ipanema, também funcionava outra fábrica de aguardente do Sinval (bom declamador de poesia matuta).
Nada mais existe. Tudo foi riscado do mapa pelos motivos vistos acima. Há alguns anos, elaboramos e distribuimos a “Carta de Santana”, documento que mostrava didaticamente como fazer a cidade progredir, inclusive com detalhes na parte industrial. O que mais existe nos lugares afastados do mar é ouvido de mercador. É melhor aproveitar idéias arcaicas próprias de que pensamentos luminosos alheios. A região de Santana do Ipanema abate um número significativo de bovinos, semanalmente. Couros, ossos, chifres, cascos, são exportados a preços vis. Uma só fabriqueta de sola não existe. Poderíamos ter sido a cidade do couro e progredido como Caruaru com fábricas de derivados do boi. Tudo foi entulhado, sufocado... Desprezado. Meu Deus! ONDE ESTÃO NOSSAS INDÚSTRIAS?


MOLION NÃO É MOLE (Clerisvaldo B. Chagas. 25.1.2010) Vivemos uma época em que os valores vão sendo substituídos por lixos de toda quali...

MOLION NÃO É MOLE

MOLION NÃO É MOLE

(Clerisvaldo B. Chagas. 25.1.2010)

Vivemos uma época em que os valores vão sendo substituídos por lixos de toda qualidade. Ficamos procurando esses valores sufocados por essa onda negativa que, como a neblina encobre os vales, mascara também as pessoas brilhantes nas mais diversas atividades do conhecimento humano.
Já havíamos ouvido falar no Prof. Molion, várias vezes. Uma das últimas foi quando uma pessoa de Arapiraca contava entusiasmada sobre uma palestra ministrada pelo professor. Molion, ultimamente vem aparecendo com mais frequência na mídia alagoana, falando sobre o tempo e dissertando cientificamente suas previsões. Mas uma dessas noites, ao ligarmos certo canal de televisão, aleatoriamente, reconhecemos o Prof. Molion cercado por feras do jornalismo brasileiro. O assunto debatido era o aquecimento global, quando o Professor, “atacado” em todos os ângulos, se defendia muito bem e com tranquilidade de quem conhece profundamente o que está debatendo. O Professor Luiz Carlos Molion tem quarenta anos de estudos climáticos e leciona na Universidade Federal de Alagoa – UFAL. Além disso, Molion tem pós-doutorado em Meteorologia e representa a América Latina na OMM-Organização Meteorológica Mundial. A cada investida dos jornalistas sabatinadores, o telespectador imaginava não haver saída para o representante alagoano. Eis que o cientista da “Terra dos Marechais”, respondia numa calma toda dele e com tremenda base de segurança. Estavam ali aqueles jornalistas interrogando como se fossem representantes de todos os outros cientistas da terra, numa corrente contrária a Molion. E, se palavras provam, o alagoano provou que todos os outros colegas do mundo estavam errados. O debate envolveu diversos aspectos do clima, o desmatamento, os efeitos do carbono, o aquecimento, as ações do homem e da natureza e muito mais. Não queremos dizer que o ilustre Professor esteja certo ou errado nos seus estudos e teorias, mas que o professor Molion deu um verdadeiro espetáculo, isso deu. Paulada de um lado, paulada de outro, e Molion absorvendo firme e quebrando os tacos a ele dirigidos. E o melhor de tudo, descobriu-se no meio do nevoeiro mais um alagoano que honra a profissão que abraçou; um valor expressivo dentro de um estado cheio de podridão, que faz até lembrar a “lanterna” do filósofo Diógenes. Durante o debate apresentado pela televisão, comparamos com o duelo de estréia do repentista Zé de Almeida em Paulo Afonso, Bahia:

“Já cantei com Manoel
E agora canto com Jó
Um é cobra canina
Outro é cobra de cipó
Eu no mei’ me defendendo
Com um taco de mororó”

Como foi dito, não sabemos se o Professor estava certo ou errado, porém, Alagoas deve estar orgulhosa do seu cientista professor de Climatologia. Quem quiser que duvide, mas MOLION NÃO É MOLE.

“DEUSES DE MANDACARU” (Clerisvaldo B. Chagas. 22.1.2010) ANTES DA LEITURA Carlos Moliterno Seja qual for o seu conteúdo — e há realm...

"DEUSES DE MANDACARU"


“DEUSES DE MANDACARU”

(Clerisvaldo B. Chagas. 22.1.2010)

ANTES DA LEITURA
Carlos Moliterno

Seja qual for o seu conteúdo — e há realmente uma variedade de temas dentro do romance — ele representa uma das grandes aventuras da inteligência do homem.
Os teóricos sempre tentaram estabelecer regras e limites para a sua elaboração, mas o problema continua discutível e controvertido, e embora algumas fórmulas tenham sido estabelecidas, elas não conseguem englobar “a totalidade extensiva de vida que ele reúne”, na opinião de Temístocles Linhares, o excelente ensaísta paranaense.
Na verdade, o que o escritor deseja mostrar, na urdidura de um romance, é o homem, visto dos seus vários ângulos, dentro da sociedade que o cerca e da qual ele é a peça mais importante. E realmente, não há gênero que o identifique de maneira mais objetiva do que o romance.
Aí, ele aparece de corpo inteiro, revelado nas suas características psicológicas, na sua posição social, nos seus conflitos cotidianos, na sedução e no desencanto, na alegria e no desespero, que são sempre os ingredientes da vida, hoje como antes.
São estas as divagações que nos ocorrem, após a leitura dos originais do romance de Clerisvaldo B. Chagas, intitulado “Deuses de Mandacaru”. O livro focaliza um episódio histórico, que se inicia na velha cidade de Olinda, dos tempos dos holandeses, e chega à época atual, principalmente ao cangaço que imperou nos sertões nordestinos.
E desse episódio histórico resultou a existência de um tesouro recolhido dos holandeses, em Olinda, e transportado para Penedo e em seguida para Santana do Ipanema, terra do romancista.
Nesse itinerário do tesouro, o autor desenvolve sua trama, focalizando várias épocas, ilustrando-as com uma movimentação de personagens, que dão ao romance um clima de aventura, de conflito, de dramas pessoais, e tudo isso dentro de uma atmosfera em que os numerosos fragmentos da história revelam a crônica de cada época.
Há neste livro tipos bem marcados como o de João Paulista, sertanejo e machão, de Levino e de Maria Pilar, todos eles levantando os seus próprios problemas, na revelação das suas próprias identidades. E diga-se, também, não se esqueceu o autor de nos mostrar, com uma relativa clareza, os mais escondidos sentimentos de suas personagens.
Já se disse que no desdobramento de uma história romanesca as explicações são desnecessárias. É possível que esse conceito se aplique a determinado tipo de romance. Neste de Clerisvaldo B. Chagas, cujo fundo repousa numa espécie de crônica de época, as explicações são sempre desejáveis, e elas servem para dar relevo ao roteiro da história. Também seus diálogos são explicativos e bem conduzidos, deixando o leitor em situação confortável para acompanhar os conflitos e descaminhos dos personagens.
“Deuses de Mandacaru” é mais um romance de escritor alagoano que vai conseguir um lugar em nossa história de ficção.
Nota: Romance inédito e engavetado há bastante tempo.
Nota 2: Encerramos aqui a série de palavras de apresentadores das nossas obras. Segunda, voltaremos com as crônicas normais.