ATACAMA (Clerisvaldo B. Chagas, 31 de agosto de 2010) (Crônica: número 350)      As atenções do mundo se voltam para o país chileno e a min...

ATACAMA

ATACAMA
(Clerisvaldo B. Chagas, 31 de agosto de 2010)
(Crônica: número 350)
     As atenções do mundo se voltam para o país chileno e a mina obstruída no deserto. Tragédias em minas de cobre, ouro, carvão e outros minerais, ocorrem em vários países do mundo. A China é a mestra em matar mineiros nas galerias que exploram o carvão. Com seus segredos sem fins, nunca se sabe quando os chineses divulgam verdades ou meias verdades sobre o assunto. Quem trabalha nos subterrâneos, vive em perigo permanente e, na maioria dos países, só Deus sabe em que condições. O caso atual do Chile é apenas um que até agora deu sorte, entre dezenas de outros semelhantes, mas com escapamento zero. A obstrução, entretanto, de um dos túneis da mina de cobre no Chile, dá ao mundo uma lição de fé e têmpera dos protagonistas.
     O deserto de Atacama está localizado ao norte do Chile, sendo banhado pelo Oceano Pacífico. É deserto porque as águas da chuva não conseguem chegar ao interior do continente por causa de fenômenos atmosféricos. São 200 km de extensão em que já foram contados até 400 anos sem indícios de chuvas. Com sua temperatura variando entre 0ºC e 40º C noite/dia, Atacama é o lugar mais árido do mundo com seus 2.400 metros de altitude. Mesmo assim, as minas do seu subsolo oferecem riquezas que contribuem para as exportações do país. Seu nome Atacama, tem origem com os nativos que habitavam a região e eram chamados de atacamenhos. Apesar da sua aridez, no deserto existem lugares com gente do mundo inteiro. São pessoas que procuram o Chile em busca de pesquisas e aventuras em cima do exótico. O lugar São Pedro do Atacama, com 3.000 habitantes é o principal deles. Em suas andanças, esses aventureiros também esquisitos, conhecem no deserto, lagoas, vulcões gêiseres, vales, canyons de águas claras e até múmias milenares. É por isso que São Pedro do Atacama possui uma animada vida noturna que passa da meia-noite. Alguns lugares surgem com arvoretas e arbustos e outros em completa aridez. Mesmo assim, ali vivem animais como ratos, lagartos e cobras e alguns outros domesticados que se adaptaram como lhamas, guanacos e flamingos. Calama é a maior cidade do grande deserto.
     Mas como ia dizendo, é a lição de fé, esperança, organização e resistência dos mineiros chilenos que está chamando a atenção para os valores que estão dentro do ser humano. Eles se mostram em situação adversa como a presente onde se calcula que esses homens de ferro passarão no mínimo dois meses em baixo da terra, antes do resgate. Isso faz lembrar o espírito Emanuel passando carão no médium Chico Xavier: “não berre, morra com dignidade”. Se quiser, alguém pode comparar também com Daniel à cova dos leões. O certo é que aqueles homens souberam manter a serenidade, a fé, a esperança e tiveram a capacidade de organização civil e espiritual que os fazem continuar vivendo. Essas lições dos mineiros chilenos não são encontradas com frequencia nos países do globo. O mundo inteiro está recebendo esses ensinamentos de valorização à dignidade humana e a inabalável certeza da existência de Deus. São os novos ícones mundiais os mineiros do ATACAMA.

INTEGRAR OU DISCRIMINAR (Clerisvaldo B. Chagas, 30 de agosto de 2010)      Quando o estádio de Maceió foi planejado para o terreno do Tra...

INTEGRAR OU DISCRIMINAR

INTEGRAR OU DISCRIMINAR

(Clerisvaldo B. Chagas, 30 de agosto de 2010)

     Quando o estádio de Maceió foi planejado para o terreno do Trapiche da Barra, foi positivo. Não se falava por ali ainda o nome favela. Mas na região oposta à entrada da futura praça de esportes, as habitações eram de uma pobreza de fazer medo. Não o medo direto dos donos da pobreza, mas da marginalidade gerada por ela. Construído o estádio – que logo recebeu o apelido de Trapichão – deu muito trabalho o escoamento de pedestres e automóveis após os jogos. O caso era difícil principalmente pelas imediações de casebres, lama, coqueirais, matagal e ruelas. O pensamento inicial era de que as rendas geradas após a obra, haveriam de melhorar os arredores. Fora a Avenida Siqueira Campos, coisa pouca mudou. A pobreza naquela área por trás do estádio ainda é grande. E há quanto tempo foi construído o Trapichão?
     Se tudo correr bem em Santana do Ipanema com o hospital novo e geral, já chamado Clodolfo Rodrigues de Melo, poderemos nos regozijar. Ao serem construídas ali vizinhas as instalações da UFAL – Universidade Federal de Alagoas – o júbilo, então, será em dobro. Não vamos ser pessimistas diante desses dois projetos arrojados. Queremos bons fluidos guiando ambos os empreendimentos. Vamos exorcizando as energias negativas mesmo diante do quadro da Saúde no estado, Nordeste e Brasil. Eles juntos irão gerar centenas e centenas de empregos, instruções, conhecimentos, ninguém tem dúvida alguma. Essas duas instituições sozinhas irão elevar, e muito, o nome de Santana do Ipanema e proporcionar sua expansão urbana. Além disso, ambas serão motivos de novos e formidáveis investimentos. Estaremos tirando o atraso em nosso progresso, desde a construção da hidrelétrica de Xingó quando passamos uma eternidade com a BR-316, trecho Palmeira ─ Delmiro via Santana, intransitável. A construção da rodovia por Olho d’Água do Casado até Delmiro Gouveia ajudou na agonia da “Rainha do Sertão”. Não se pode negar a nova oportunidade que Santana terá para progredir, nem mesmo pelo mais bronco caboclo sertanejo. Todavia, a empolgação pela presença da Universidade e pelo novo hospital, faz esquecer a pobreza do entorno. Sem planejamento social e desenvolvimentista para uma periferia carente de tudo (onde sobejam mirantes naturais) o local continuará como hoje. É triste ver as “casas de pombos” e os terrenos acidentados de conjuntos que teimam em existir. A continuação do atraso e da miséria com letras graúdas vai depender da visão dos novos gestores municipais. Uma coisa é certa: a grande oportunidade para os conjuntos Marinho, Santa Quitéria, Cajarana, localidade Alto dos Negros e todo o Bairro Floresta é agora. Os dirigentes de olhos voltados apenas para os dois gigantes, não podem esquecer o caso “Rei Pelé”. Ou aumentará a distância da exclusão ou acontecerá à metamorfose que movem os espíritos humanistas. Para quem interessar possa, eis aqui uma consulta grátis. É INTEGRAR OU DISCRIMINAR.


DESENGANOS (Clerisvaldo B. Chagas, 27 de agosto de 2001) Só quem sabe cantar meus desenganos É a flor madrugada e mais ninguém Fracassam o...

DESENGANOS

DESENGANOS
(Clerisvaldo B. Chagas, 27 de agosto de 2001)

Só quem sabe cantar meus desenganos
É a flor madrugada e mais ninguém

Fracassam o passado e o presente
Diniz, Zé Catota e Vitorino
Zé Limeira, Lourival, José Faustino
Zé Gaspar, Zé de Almeida, M. Clemente
Geraldo, Zé Viola, R. Vicente
Lourinaldo, Mocinha e Jó, além
De Daudeth Bandeira e mais uns cem
Ivanildo, versejos sobre-humanos
Só quem sabe cantar meus desenganos
É a flor madrugada e mais ninguém

Nem o Nelson Gonçalves, Altemar
Cauby, Lupicínio ou Alcione
Agnaldo Timóteo ao microfone
Netinho ou Sangalo à beira mar
 Moacir, Martinho ou Alcimar
Zé Ramalho, Belchior, Fafá Belém
Ciganas canções que vão e vem
Que apaixonam demais seres humanos
Só quem sabe cantar meus desenganos
É a flor madrugada e mais ninguém

Nem as flores suspensas do jardim
Nem a rosas dos prados coloridos
Nem as brisas dos vales mais perdidos
Nem o céu de safira ou de carmim
Nem gorjeios de aves no capim
Baladas sensíveis de um trem
O aceno do lenço de alguém
Não tocam na alma dos arcanos
Só quem sabe cantar meus desenganos
É a flor madrugada e mais ninguém

O vento que sibila à cordilheira
O cravo que nasceu no pedregulho
O balanço das águas no marulho
O convite da sombra à quixabeira
O melaço da cana da caldeira
O aroma da carne no moquém
O pipilo insistente do vém-vém
Vão pingando poesia nos meus planos
Só quem sabe cantar meus desenganos
É a flor madrugada e mais ninguém

O escuro das noites mais escuras
O cenário de atos tenebrosos
As fossas abissais de assombrosos
Seres que habitam nas funduras
Fogo-fátuo de águas tão impuras
Cobre em moeda de vintém
Fuligem que ao vício faz refém
Vão rondando seus golpes mais tiranos
Só quem sabe cantar meus desenganos
É a flor madrugada e mais ninguém.
 
                                                               FIM











Ê MEU FIO (Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2010)           Ainda lembro o cidadão santanense, já em avançada idade, Benedito Serra ...

Ê MEU FIO

Ê MEU FIO
(Clerisvaldo B. Chagas, 26 de agosto de 2010)

          Ainda lembro o cidadão santanense, já em avançada idade, Benedito Serra Negra, em suas visitas esporádicas a nossa loja de tecidos. Referia-se ele a certo pássaro da caatinga que durante o sofrimento do povo nas estiagens prolongadas, cantava. E o seu canto parecia mangação quando o povo interpretava assim: “ê, meu fio!...”
         Durante a Alta Idade Média, o pensamento filosófico recebia grande influência do cristianismo. Houve momentos em que essas idéias confundiram-se com a teologia, porque se amparavam na fé e em dogmas religiosos. Destacou-se naquele momento histórico, um dos maiores doutores da Igreja que foi Santo Agostinho, responsável pela síntese entre a filosofia clássica (platônica) e a doutrina cristã. Segundo a teologia agostiniana, a natureza humana é, por essência, corrompida. A remissão, a salvação eterna, estaria na fé em Deus. Santo Agostinho tem como principais obras: “Confissões” e Cidade de Deus”. Para muitos estudiosos, essa era uma visão pessimista em relação à natureza humana. Entretanto, na Baixa Idade Média surgiu uma concepção mais otimista e empreendedora do homem. A filosofia escolástica procurou harmonizar razão e fé. Nesse caso, o progresso do ser humano não dependia apenas da vontade divina, mas também do esforço do próprio homem. Com isso os atributos racionais do homem passam a ser valorizados. E por outro lado, não deve mais existir conflitos entre a fé e a razão. Os escolásticos são considerados precursores do humanismo e tiveram o mérito de restituir ao homem medieval a confiança em si próprio. Se a escolástica valorizou a razão substituindo o termo predestinação por livre arbítrio, mas continuou deixando para o clero o papel de orientador moral e espiritual da sociedade. O mais influente filósofo escolástico foi São Tomás de Aquino, professor da Universidade de Paris. São Tomás muito influenciou o clero, inspirado na teologia cristã e no pensamento de Aristóteles. Obra de São Tomás de Aquino: Suma Teológica.
         Com tantos estudos históricos e filosóficos ficamos a imaginar o comportamento do homem nos dias atuais. Será que são suficientes essas pesquisas da Sociologia que agrupam o ser humano em camadas sociais, estamentos ou castas? O homem moderno, preocupado com o seu padrão de vida, nessa luta feroz da concorrência empregatícia ou com a violência desenfreada nas ruas, tem tempo de pensar? Já perguntaram a algum assaltante de bancos ou aos consumidores inveterados de drogas se eles estão lendo a Suma Teológica? Já indagaram aos compradores de consciências sobre o pensamento escolástico? Será que todo sistema educacional está falido? Nada afirmamos nem analisamos. Apenas, em um momento de parada refletimos. Nesse emaranhado do tal “correr atrás”, fica bastante difícil correr a frente. E com essas filosofias que se arrastam pelo mundo o saudoso cantor Nelson Gonçalves se sai com a dele:

(...) “pois a vitória
Não pertence ao infeliz...

         Volto à ternura de Benedito Serra Negra, “filósofo” bem menos complicado. Diante de tantas coisas esquisitas que estão acontecendo com a humanidade, com certeza ele apenas repetiria o pássaro das caatingas alagoanas: “Ê, MEU FIO!...”

VIRANDO FUXICO (Clerisvaldo B. Chagas, 25 de agosto de 2010)           Sem telefone fixo e Internet no apartamento, vou ficando aborrecido...

VIRANDO FUXICO

VIRANDO FUXICO
(Clerisvaldo B. Chagas, 25 de agosto de 2010)

          Sem telefone fixo e Internet no apartamento, vou ficando aborrecido com a prestadora ou imprestadora de serviços. Cuidando de legítimos outros interesses, vou perdendo contato com meus trabalhos publicados. Passo a enviar as crônicas através de terceiros que as conduzem em pen-drives. Eles as enviam das suas repartições para o blog, para os portais Santanaoxente e Maltanet. Quero me comunicar com o Malta e “João Neto de Dirce, mas não tenho os seus telefones na minha agenda. Aí veja compadre, como são as coisas no Brasil. Através de amizade, funcionário de certa empresa promete que vem ligar o aparelho, consequentemente a Internet. Pede para que fiquemos calados, sem dizer para os demais vizinhos que por certo também iriam querer o privilégio obrigatório. O cabra marca para as catorze horas, deixa-me aguardando até as dezessete para dizer que não vem mais. A empresa acaba, diz ele, de receber  certa resolução que impede a sua vinda. Inventaram para lá um calendário diferente, de modo que somente em torno do dia trinta essa ligação poderá ser feita. Agora nem por cima, nem por baixo do pano. E a Justiça, o PROCON e o jeitinho brasileiro não resistem as manhas da inrespeitável empresa. Quem acredita nesse tal dia trinta? No final de semana estarei na terrinha para examinar a caixa de correspondência.
          Recebo não boas notícias sobre um derrame que teria sofrido a esposa de um dos muralistas do Portal Maltanet. E como não posso ter certeza no momento, não publico o nome, mas vamos ajudar com orações.
          Quanto a essas companhias que vão engolindo umas as outras, parecem carregar a paranoia do lucro fácil e rápido, meta de todos os ambiciosos. Transportam o sádico prazer do mau atendimento, da indiferença e da certeza de que o castigo pequeno é lucro. Esquematizadas dentro de brechas de leis, de impunidades, de corrupção ativa e de cansaço do poder público, vão levando as economias de milhões de brasileiros através de serviços “marca peste”, como fala irritado o sertanejo alagoano. Muitas são estrangeiras que vem com um título à frente e o tenebroso conteúdo atrás. As listas de reclamações do Brasil inteiro demonstram esse infame descaso com o usuário. Causam-nos espanto e incredulidade, medidas radicais tomadas em países diferentes do nosso. Mas dizem que “remédio para um doido é doido e meio”, expressão que vem desde os tempos dos nossos avôs. E assim essas devoradoras da economia do povo quase sempre se dão mal diante de um martelo muito mais firme. Ante o escancarado desmando, o trabalhador vai se sentindo cada vez mais lesado, com sensação de ser apenas mais um palhaço diante da bocarra do estrangeirismo. Ê, comadre Salete, já nos viciaram na Internet, mulher! Quando ficamos sem ela a impressão é péssima. Ainda bem que o cronista não marcou reunião com os amigos da Cultura aí em Santana. O que acha Paulo Fernandes? Continue divulgando nossas crônicas no seu site “Tangará”; Jornalista Antonio Noya em suas revistas e, o site “Besta Fubana”, para o Brasil inteiro. O nosso mural de recados continua em aberto. E como diria o colega, amigo e empresário Juarez (Bêinha), vamos esperar que o filho da “foice” venha fazer minhas ligações. Afinal, comunicação sem a web vai VIRANDO FUXICO.

PAUTAS NEGATIVAS (Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2010)      Os duelos políticos deveriam acontecer apenas nos dias que antecedem as...

PAUTAS NEGATIVAS

PAUTAS NEGATIVAS
(Clerisvaldo B. Chagas, 24 de agosto de 2010)

     Os duelos políticos deveriam acontecer apenas nos dias que antecedem as eleições. Não temos certeza de que o prolongamento desses embates acontece em todos os municípios brasileiros. Mas no Nordeste, principalmente no interior, desprezo e investidas contra administrações se avolumam. Essa estranheza que se torna bastante particular, vai prejudicando em volume incalculável a população local. As obras construídas com a escassa verba pública, vão sendo abandonadas ao sabor do esquecimento, da manutenção e dos malfazejos, propositadamente. Assim os novos gestores públicos encontram uma forma mesquinha, anticívica, egoísta e criminosa de vingança aos que lhes fazem oposição. Isso custa caro ao País e ao povo do Município. Os próprios pesquisadores sentem dificuldades nos seus trabalhos de esclarecimentos à posteridade. Como pesquisar em logradouros sem placas, em repartições sem fachadas, em monumentos mudos? Carência de tintas, sumiço de documentos, fontes de pesquisas mascaradas, vão se avolumando nos bastidores da história. Não podemos afirmar que esses atos insanos sejam exclusividade contemporânea.
     No governo de André Ferreira da Silva, 1919-21, sexto intendente da vila de Sant’Ana do Ipanema, foi homenageado o imperador D. Pedro I. Na primeira praça que se tem notícia da história da urbe, é construído um obelisco e ali colocado o busto do imperador. A pracinha ficava no centro comercial, hoje denominado praça e Largo Senador Enéas Araújo. Já no final do seu governo, a intenção de André Ferreira era festejar e marcar os cem anos da Independência do Brasil. O obelisco e o busto foram inaugurados no ano seguinte, já no governo do sétimo intendente, capitão Manoel dos Santos Leite, quando Santana iniciava o período de cidade. No dia 7 de setembro de 1922, foi descerrada uma placa de mármore doada pelo povo. As duas bandas da cidade animavam o evento, a Filarmônica Santa Cecília (Carapeba) fundada em 1908 e a Filarmônica Santanense (Aratanha) fundada no início de 1922 exclusivamente para esse ato importante. A partir daí, a pracinha foi batizada com o nome de Praça do Centenário. Em torno de vinte anos depois, na gestão de Adauto Barros, 1942-45, o obelisco foi demolido violentamente e pouca gente sabe aonde  foi parar o busto do imperador e a placa de mármore do povo. Ódio, ignorância, egoísmo, truculência e falta de respeito ao Município e ao Brasil, continuam desfilando no interior do Nordeste como nos velhos tempos das botas dos coronéis. Quando não queimam a triste energia negativa por cima, devastam por baixo a própria dignidade de quem já não encontra o que oferecer à sociedade em que vive. Se um mil não enxergam, tem sempre dois olhos que acusam as manobras asquerosas dos filhos da PAUTA NEGATIVA.

SEU QUEIRÓS (Clerisvaldo B. Chagas. 23 de agosto de 2010)           Estamos montados nos 102 anos de fundação da primeira banda musical de...

SEU QUEIRÓS

SEU QUEIRÓS
(Clerisvaldo B. Chagas. 23 de agosto de 2010)

          Estamos montados nos 102 anos de fundação da primeira banda musical de Santana do Ipanema. Foi no dia 22 de novembro de 1908 que o coletor federal Manoel Vieira de Queirós presenteou Santana. Nesta data foi criada a “Filarmônica Santa Cecília” que logo passou a injetar vida nova nos talentos da terra. Para uma vila que se desenvolvia sob os olhares da avó do Cristo, faltava um empreendimento cultural de grande porte. E naquele meio rude, entre religião, comércio, agropecuária e mandacarus, começa a desfilar garbosamente a briosa de “Seu Queirós”. O maestro logo angariou respeito e fama nessa tarefa tão bonita quanto espinhosa de lidar com instrumentos e homens. Assim vão sendo convocados, sapateiros, marceneiros, comerciantes, artesãos e logo se forma um elenco de músicos sertanejos. Não demorou a que a Santa Cecília recebesse o apelido de “Carapeba”. E a Carapeba sertaneja foi animando ruas, praças, avenidas, preenchendo a alma do povo de felicidade e sonhos imediatos. Eventos políticos, cívicos, religiosos, podiam contar com aqueles caboclos que se revelavam. Com a força e a vontade no sangue, os homens iam vencendo os dias de vila e entraram triunfantes na “década do esplendor”. Santana vila tem a honra de amanhecer cidade sob a mágica batuta de Seu Queirós. Achando poucas suas atividades de coletor e maestro, Manoel ainda funda também o primeiro teatro de Santana. Mas em 2 de dezembro de 1924, faleceu o pai da música de Santana do Ipanema. A cidade emudecida provou que até hoje não soube como pagar ao maestro tanto serviço prestado a nossa terra. A Santa Cecília, contudo, não esmoreceu e continuou a sua trajetória, honrando a determinação do mestre. Mas o vigor da Filarmônica não resistiu aos obstáculos outros que barraram o seu caminho. Infelizmente, no ano de 1926, a Filarmônica Santa Cecília morreu para a sociedade.
          Instrumentos musicais foram parar no museu do Município criado trinta e três  anos após a extinção da banda. Com o passar dos anos, o descaso das várias administrações municipais golpearam o museu até a exaustão. Sentimos falta de inúmeras peças que desapareceram desde quando o museu foi criado na administração Hélio Cabral. Agora com regras impostas de cima sobre o zelo com o patrimônio público, pode ser que haja encorajamento para importantes doações que relutavam sempre. Disfarçadamente vamos procurando uma homenagem póstuma a Seu Queirós e não vamos encontrando. Mesmo assim vale a pena lembrar aos jovens estudiosos da “Rainha do Sertão”, que existiu um homem que teve a coragem de fundar uma filarmônica. Uma filarmônica em um tempo em que a música valorizada era apenas a de pé-de-bode, tambaque e aboio de vaqueiro. Coletor federal, herói santanense, pioneiro da música e do teatro foi SEU QUEIRÓS.