LEIA SE QUISER Clerisvaldo B. Chagas, 16 de junho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão alagoano Crônica 1.684 Abrindo espa...

LEIA SE QUISER



LEIA SE QUISER
Clerisvaldo B. Chagas, 16 de junho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão alagoano
Crônica 1.684


Abrindo espaço para trecho de um dos trabalhos do saudoso escritor penedense, Ernani Méro.
“Esse recanto poético e histórico de Alagoas tem um significado especial no contexto do Barroco que aqui chegou e cresceu. Quanta grandeza artística naquela cidade! Quanta falta de reconhecimento do seu valor na formação mental das Alagoas! Fala-se tanto do seu acervo artístico-cultural, mas muito pouco se sabe do seu real valor como Patrimônio Histórico e da sua colaboração na formação de nossos antepassados e o que pode oferecer à nossa geração de hoje.
O convento franciscano de Santa Maria Madalena é o protótipo da arquitetura religiosa do século XVII. Aí está o seu maior valor a transmitir ao hoje e ao amanhã. Ali está um verdadeiro Barroco Nordestino de uma época,  uma réplica autêntica de tantos exemplares de Portugal. Os franciscanos aqui chegados da Província de Santa Cruz em Portugal, graças ao seu zelo missionário e a qualificação dos seus religiosos artistas, deixaram ali uma monumental obra de arquitetura religiosa que honra e destaca o Estado de Alagoas. Os que ali chegam sabem avaliar o seu valor artístico, admirar a beleza  da obra arquitetônica, medir o seu valor pedagógico, enquanto nós ignoramos tudo isso, ficando satisfeitos em afirmar, apenas que ‘Marechal Deodoro é uma cidade histórica’. Ninguém o nega, mas essa cidade tem uma posição de expressivo valor no contexto de uma ‘civilização barroca que aqui se implantou’. Alagoas é um estado pequeno em suas linhas geográficas, porém, ‘grande’ na sua capacidade de assimilar toda uma cultura que nos foi legada. Precisamos acordar para aquilo que Marechal Deodoro representa para a nossa História, valendo esse comentário para a cidade de Penedo da qual falaremos em seguida”.
·         MÉRO, Ernani. Retalhos. Sergasa, Maceió, 1987.

CORPUS CHRISTI Clerisvaldo B. Chagas, 15 de junho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.683 Foto: (Pipresplendo...

CORPUS CHRISTI



CORPUS CHRISTI
Clerisvaldo B. Chagas, 15 de junho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.683
Foto: (Pipresplendor).

“A solenidade tem sua origem no século XIII, a partir das inspirações de uma monja agostiniana conhecida como Santa Juliana de Cornillon, que viveu em Liége, na Bélgica. Aos 16 anos, ela teve uma visão na qual se via a Lua, toda brilhante, atravessada por uma faixa escura. Na oração, compreendeu que a Lua representava a vida da Igreja na terra e a faixa sem luz significava a ausência de uma festa litúrgica dedicada à Eucaristia.
Juliana manteve em segredo a sua visão por cerca de vinte anos. Depois de ter assumido a liderança do convento em que vivia, confidenciou a visão a outras duas religiosas e a um padre, ao qual pediram que sondassem entre os clérigos e os teólogos o que pensavam da proposta.
A resposta foi positiva e o bispo de Liége – cidade já conhecida por seu fervor pela Eucaristia – instituiu a festa na sua diocese, sendo em seguida imitado por outros bispos.  Foi o papa Urbano IV, que havia conhecido Juliana antes de se tornar pontífice que estendeu a comemoração a toda a Igreja, com a bula Transiturus de hoc mundo, em 1.264, seis anos depois da morte de Juliana. A data fixada – e estabelecida como dia de preceito, ou seja, de obrigatoriedade de ir à missa – foi à segunda quinta-feira após a solenidade de Pentecostes, que ocorre, por sua vez, no sétimo domingo a partir da Páscoa”.

“Durante esta festa são celebradas missas festivas e as ruas são enfeitadas para a passagem da procissão onde é conduzido geralmente pelo Bispo, ou pelo pároco da Igreja, o Santíssimo Sacramento que é acompanhado por multidões de fiéis em cada cidade brasileira.
A tradição de enfeitar as ruas começou pela cidade de Ouro Preto em Minas Gerais. A procissão pelas vias públicas é uma recomendação do Código Canônico que determina ao Bispo Diocesano que tome as providências para que ocorra toda a celebração, para testemunhar a adoração e veneração para com a Santíssima Eucaristia.
O Corpus Christi não é feriado nacional, tendo sido classificado pelo governo federal como ponto facultativo. Isso significa que a entidade patronal é que define se os funcionários trabalham ou não nesse dia, não sendo obrigados a dar-lhes o dia de folga”.
·         Fontes diversas.

ROMANCE NOVO Clerisvaldo B. Chagas, 14 de junho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.682 Caminhos do sertão. F...

ROMANCE NOVO



ROMANCE NOVO
Clerisvaldo B. Chagas, 14 de junho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.682
Caminhos do sertão. Foto (Clerisvaldo B. Chagas).

Iniciando minha carreira literária como romancista, ofereci aos leitores, “Ribeira do Panema”, romance baseado no ciclo do cangaço. Tempos depois veio a lume o segundo romance intitulado “Defunto Perfumado”, também da vertente anterior. Nessa fase fui bastante estimulado pelos escritores Luís B. Torres, Adalberon Cavalcanti Lins e Aleixo Leite Filho.
Adalberon (Curral Novo, Sidrônio, O Tigre dos Palmares) em carta a mim dirigida pedia que eu nunca deixasse de escrever romances. E em apresentação em um desses livros dizia que “ninguém se engane, pois, se Clerisvaldo despontar como um dos maiores romancistas brasileiros”. Isso me estimulou a escrever mais dois romances, ambos históricos do ciclo do cangaço: “Deuses de Mandacaru” e “Fazenda Lajeado”. Esses continuam inéditos.
Jamais quis escrever sobre documentários. Faltando, todavia, na minha terra a nossa história, resolvi entra nesse campo por amor ao torrão e escrevi “Ipanema um rio macho”, tudo sobre o rio que lhe empresta o nome, dando a Santana a sua identidade. Depois escrevi “O boi, a bota e a batina; história completa de Santana do Ipanema”, o maior documentário jamais produzido no município. Dei a minha cidade assim o seu CPF. Este livro está concorrendo em órgão oficial para publicação. Além disso outros documentários saíram: “Geografia de Santana”, “Conhecimento Gerais de Santana do Ipanema”, “A Igrejinha das Tocaias”, “Negros em Santana”, “Floro Novais, herói ou bandido?”, “O coice do bode”, “Maria Bonita, a deusa das caatingas”, “Barra do Ipanema, um povoado alagoano”, “Sebo nas canelas, Lampião vem aí!”, “Repensando a Geografia de Alagoas”, “Dez poemas engraçados” “Colibris do Camoxinga” e outros mais. Agora: “230” a história iconográfica.
Cansado de produzir documentários quis voltar a produzir romance. A fonte inspiradora estava pressionando tanto que escrevi em apenas 17 dias, 22 capítulos de 37 programados. Os dias e as noites, de forma nunca vista, não me dão fuga, é só chegando e chegando material à cabeça e o computador trabalhando sem parar. O romance, também do ciclo do cangaço, mostra certa disputa entre rastejadores famosos (homenagem a essa grande figura nordestina) nos sertões de Alagoas e Bahia. O sequestro de uma senhora dá margem a uma aventura pelos sertões, recheada de ódio, combates, amor, sexo, folclore, costumes regionais e sensibilidade à flor da pele, grudando o futuro leitor aos personagens. Tenho até a dúvida de que essa ficção deve ter acontecido como fato real no passado, tal as cenas vivas e palpitantes. Não coloquei, pela primeira vez, o nome de um livro antes de escrevê-lo. Por enquanto continua no computador como ROMANCE NOVO.
Não vejo o momento de encerrar essa crônica para escrever o capítulo 23 que já está me pressionando.
“100 milagres inéditos do padre Cícero” espera sua continuação na retaguarda.

NÓS E OS RIOS Clerisvaldo B. Chagas, 12 de junho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.681 O geógrafo B. Chagas...

NÓS E OS RIOS



NÓS E OS RIOS
Clerisvaldo B. Chagas, 12 de junho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.681
O geógrafo B. Chagas explica  à TV Gazeta sobre o canhão formado pelo Ipanema.

 Foto: (Arquivo de Clerisvaldo).

Como nós, os rios também têm juventude, maturidade e velhice. Isso depende muito do clima onde ele se situa, relevo e tipos de rochas por onde escorrem essas águas. Denominamos a essa parte “ciclo de um rio”.
Essas etapas de vida, porém, não apresentam período de tempo bem limitado.
A juventude de um rio é uma fase caracterizada pela erosão vertical quando existe a formação inequívoca de vale. Nessa fase, o rio vai procurando escavar o leito, fazendo seu trabalho intenso de erosão. Pode-se dizer que o rio procura buscar violentamente o seu ponto de equilíbrio.
Na observação vê-se um rio em forma de garganta, terreno bastante abrupto.
A maturidade é uma fase em que o rio pratica sua erosão horizontal. Vai-se alargando em ambos os lados, formando meandros e planícies aluviais. Existe nessa fase um perfil de equilíbrio. Nesse caso, a rede hidrográfica já se encontra perfeitamente definida, podendo-se distinguir perfeitamente o rio principal dos seus afluentes e subafluentes.
A velhice de um rio mostra no geral a formação de lagoas em forma de ferradura. Nessa fase, as planícies aluviais já se encontram muito enlarguecidas. O rio, então passa a correr lentamente pela planície e os seus meandros tornam-se exagerados.
Os rios velhos e que têm lentidão de suas águas, deixam de realizar um trabalho de erosão intensa e de transporte. Assim os sedimentos se depositam em ambos os lados formando essas lagoas também chamadas de diques naturais.
Todavia, caso o volume da água aumente, o rio poderá quebrar os cordões de isolamento que causaram o fenômeno.

Assim podemos sentir a alma dos rios cujos corpos vão se assemelhando aos nossos. Não faltam motivos, então, para haver mais pesquisas misturadas à sensibilidade, ao amor à Natureza que durante milhões e milhões de anos preparou a vida para nós.





VISITANDO A PRINCESA Clerisvaldo B. Chagas, 7 de junho de 2017 Escritor Símbolo do Sertão Alagoano Crônica 1.680 MUSEU XUCURUS ...

VISITANDO A PRINCESA



VISITANDO A PRINCESA
Clerisvaldo B. Chagas, 7 de junho de 2017
Escritor Símbolo do Sertão Alagoano
Crônica 1.680
MUSEU XUCURUS EM DIA CHUVOSO. Foto: (Clerisvaldo B. Chagas).

Levantado com o canto dos pardais e uma garoa inflexível, fomos ao café costumeiro e energético. E assim procuramos percorrer a velha estrada construída por Delmiro Gouveia até o agreste de Alagoas. Chuva normal e constante no asfalto Santana ─ Palmeira dos Índios, vai trazendo recordações dos tempos em que a estrada era de terra e nem tinha mais como passar o maquinário. Havia ainda até pouco tempo a antiga linha telegráfica margeando a rodagem, onde sempre encontrávamos passarinhos encolhidos sobre os fios. E mesmo antes de nós, podemos imaginar os primeiros caminhões que rodaram no estado trazendo coco da praia para o Sertão e retornando com cereais do interior. Transportando passageiros de carona na cabina ou na carroceria, enfrentando os atoleiros, poeiras ou catabios do estradão sem fim, eram os primeiros sinais de progresso. As comunicações mais rápidas saiam do telégrafo que também muito informava aos movimentos das tropas volantes sobre Lampião e sua caterva. E assim íamos assinalando os lugares por onde o bandido havia passado, entre Palmeira e Cacimbinhas, sua porta de saída para Pernambuco.
Em Palmeira, com o assunto livro à cabeça fomos percorrendo a cidade bem movimentada. Ali também recordávamos as inúmeras passagens que tivemos de enfrentar quando rumo a Pernambuco em busca do Curso Superior ou preliminares de Arapiraca.
Aproveitamos para umas fotos que precisávamos para a Geografia, embora duas delas pareçam cabeças de burros enterradas. A cidade sobre chuva mansa e templo nublado não rebateu a nossa vontade. Assim, aproveitando o intervalo dos negócios conseguimos as fotos tão desejadas. Elas estão na Internet, mas são fotos alheias e não nos interessavam. Chegamos até o museu Xucurus e registramos a máquina do trem, exposta defronte, na praça. Fotografamos o centro da cidade para a encaixarmos entre as treze cidades alagoanas que mais se destacam atualmente. E lá na Praça do Açude usamos toda a nossa perícia para um belo cenário no açude do Goiti. Uma perfeição, coisa de profissional.
Faltava, porém, o quase inalcançável serrote do Vento, a três quilômetros de Estrela. Mais uma das outras tentativas frustradas. Conseguimos com a máquina trazê-lo para a BR-316, mas estava encoberto pela névoa. Belo, mas não serve ao nosso intento. Fico devendo o serrote do Vento e o serrote do Cedro, seu vizinho, à parte física da querida matéria.
Espero poder pesquisar mais na “Princesa do Sertão” do Mestre Graça.